A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 27/11/2020

Oficialmente, a língua falada no Brasil é o português, consequência dos anos em que o país foi a colônia de exploração de Portugal. Para dominar completamente o território “recém-descoberto”, era necessário que a coroa portuguesa dominasse os povos que já habitavam este lugar e, uma das maneiras de subjugá-los, era extinguindo o idioma dessas comunidades para substituí-los pelo português. Desse modo, como consequência da negligência portuguesa e da falta de demarcação definitiva de territórios nativos, a diversidade de línguas indígenas faladas no país foi diminuindo com o passar dos anos.

Em primeira instância, é preciso ressaltar a importância de Portugal na formação do modo de pensar do cidadão brasileiro. O pensamento disseminado pela coroa portuguesa, o qual afirmava que os povos nativos viviam de modo ultrapassado e que não pertenciam à sociedade, ainda possui um grande domínio no subconsciente brasileiro. Assim, como seus falantes, as línguas nativas foram sendo esquecidas com o passar dos anos, o que pode ser observado a partir dos dados divulgados pela UNESCO, os quais afirmam que, de 190 línguas nativas faladas, cerca de 20 já são consideradas extintas, ou seja, todos os seus falantes estão mortos.

Além disso, também é necessário discutir sobre a questão territorial indígena no Brasil e como isso afeta a manifestações das línguas. De acordo com o artigo 231 da Constituição Federal de 1988, os índios possuem direitos de manter sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, porém a realidade é outra. Apesar de terem o país como lar desde antes da chegada dos portugueses, atualmente, as terras indígenas compõem apenas cerca de 10% do território nacional, de acordo com Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Tal dado é preocupante pois, além de violar o direito garantido por lei, prejudica a disseminação de línguas nativas, uma vez que sem um território próprio, é quase impossível manter viva a cultura dessas comunidades.

Logo, em prol de resolver esse impasse, é preciso que o Ministério da Educação, juntamente com instituições de educação privadas, promova o conhecimento cultural do índios, por meio de aulas e palestras focadas nos nativos brasileiros, de modo que crianças e adolescentes se tornem cientes dos problemas enfrentados por essa parcela da situação, podendo se tornar aliados na luta pela garantia dos direitos. Além disso, é necessário que o Governo Federal tome previdências ao que diz respeito aos órgãos responsáveis pela garantia dos direitos indígenas, aumentando a vigilância e representatividade no governo. Assim, a dignidade indígena será reconstruída gradativamente.