A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 27/11/2020

Conforme Marcus Garvey, ativista político jamaicano, “um povo sem o conhecimento da sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes”. Sob essa perspectiva, é notória a importância do conhecimento acerca das manifestações artísticas materiais e imateriais de uma sociedade para a plena construção desta, a exemplo da pluralidade de linguagens e dialetos indígenas brasileiros. Entretanto, percebe-se, atualmente, entraves referentes ao patrimônio histórico-cultural brasileiro em virtude da desafeição da população com a cultura nacional e inércia dos órgãos estatais para com o problema.

Em primeiro lugar, vale destacar o desafeto frente a herança histórica nacional. Acerca dessa premissa, pode-se citar o livro “Raízes do Brasil”, em que o escritor Sérgio Buarque de Holanda explora a formação de uma identidade puramente brasileira ao longo dos séculos baseado em elementos como a ampla mistura de povos e ideias e o resultado dessa miscigenação. Entretanto, o contato com tantas culturas tornou-se um catalisador no processo de extinção de algumas línguas indígenas, uma vez que a introdução de idiomas estrangeiros no vocabulário de cidadãos brasileiros, como o inglês, tenha causado o esquecimento e desvalorização. Desse modo, caracteriza-se um cenário triste e ignóbil no que diz respeito à identidade do país.

Em segundo lugar, ressalta-se a complacência do Governo Brasileiro em relação a esta questão. Consoante à teoria de Thomas Hobbes, de que é dever do Estado garantir o pleno exercício de todos os eixos governamentais, como a cidadania, a educação e a cultura, visando garantir o bem-estar moral e físico do cidadão. Sob este viés, a atuação falha dos órgãos governamentais em proteger e zelar pelos pilares básicos da sua cultura propiciaram o desaparecimento de centenas de línguas nativas, visto que a presença dessas no âmbito escolar é nula. Assim, nota-se o menosprezo do Governo com os povos que moldaram a base da identidade nacional.

Frente a todos os fatos supracitados, é imprescindível que as confusões relacionados à extinção das linguagens indígenas brasileiras sejam resolvidas. Em primeiro plano, faz-se necessário que o Estado, por intermédio da Secretaria da Cultura, institua políticas públicas que defendam e protejam estes artefatos. Além disso, é necessário que as instituições escolares adotem em seu currículo pautas e discussões sobre o tema, para que assim os estudantes conheçam as origens da sociedade canarinha. Dessa maneira, a população como um todo terá a sensação de pertencimento ao seu país e conhecerá sua história, como proposto por Garvey.