A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 29/12/2020

A Constituição Federal de 1988, no artigo 231, defende o direito de se manterem as línguas indígenas. Contudo, vê-se o rompimento destes direitos uma vez que, segundo a Unesco, cerca de 69% dos dialetos indígenas estão ameaçados de extinção. Entre os fatores que contribuem para o possível desaparecimento de línguas indígenas no Brasil, destacam-se: o preconceito histórico e a falta de investimento das escolas.

Diante desse cenário percebe-se que o preconceito histórico é um dos obstáculos dessa temática. Segundo a escritora Luciana Storto, em seu livro “Línguas Indígenas: tradição, universais e diversidade”, o preconceito faz com que muitos indígenas, principalmente jovens, abandonem seus dialetos visando melhorar a fluência no português. Nesse sentido, tanto o preconceito externo quanto a necessidade de aprender a língua portuguesa corroboram para que índios abandonem suas línguas nativas.

Além disso, atrelada ao preconceito histórico, a falta de investimentos das escolas indígenas em ensinar esses idiomas intensifica a problemática. Sabe-se que desde a colonização os indios têm sido “alfabetizados” no potuguês e, hodiernamente, esse fato persiste nas escolas. Nessa lógica, Storto discorre, em seu livro, sobre a falta de um projeto educacional estruturado que vise manter as línguas indígenas vivas. Assim, as dificuldades para preservar os idiomas indígenas intensificam-se.

Portanto, se faz necessária a solução desses fatores de forma eficaz. Nessa perspectiva, faz-se necessário que o Ministério da Educação invista nas escolas indígenas de maneira que haja condições para ensinarem os dialetos nas aulas. Ademais, o MEC, juntamente com o INEP, podem promover provas, como o ENEM, em línguas indígenas para a inclusão de pessoas que ainda não possuem fluência no português. Dessa maneira, haverá educação continuada nas línguas e inclusão, diminuindo, então,  o risco de extinção e honrando novamente a Constituição Federal.