A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/11/2020
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, são direitos de todo humano a liberdade de expressão e opinião e a liberdade de crença e cultura. Baseando-se nisso, a carta magna brasileira adota tal garantia a todo cidadão, incluindo a população indígena. Dessa forma, os idiomas indígenas brasileiros são salvaguardados legalmente. Entretanto, mesmo com tais garantias legais, tais línguas vêm perdendo falantes por uma falta de propagação por parte do poder público e de aceitação da sociedade civil.
Em primeira instância, há de se analisar a responsabilidade da esfera pública acerca dessa questão. Acerca desse tópico, a grade curricular comum estabelecida pelo Ministério da Educação demonstra o menosprezo aos dialetos nativos do Brasil ao não estabelecer seu ensino na rede educacional. De acordo com dados da Funai, há até escolas indígenas onde tal matéria não é ministrada, ultrapassando 22% de tais instituições. Ademais, ao se tratar das escolas que seguem o padrão instituído pelo Ministério, o ensino de línguas estrangeiras se mostra compulsório, revelando uma valorização do exterior em detrimento do nativo brasileiro.
Em segunda instância, a percepção social e seus efeitos devem ser considerados. Tratando disso, o racismo para com cidadãos indígenas ainda se mostra presente no cotidiano dessa parcela da população. Segundo dados revelados pela Funai, cerca de 72% da população nativa que mora nas grandes cidades brasileiras já sofreu uma forma de racismo. Isso por sua vez faz com que tais indivíduos reprimam suas culturas, abandonando costumes e tradições, incluindo seus idiomas, não passando-os para as futuras gerações.
Em suma, conclui-se que a tal conflito requer ação imediata para mitigar seus efeitos. Portanto, visando resolver esse impasse e respeitar os direitos garantidos na Constituição Federal, o Ministério da Educação deve estabelecer o ensino de dialetos indígenas nas áreas de maior concentração de tais etnias, através de uma emenda à grade curricular brasileira. Dessa forma, a cultura e língua dos povos nativos serão preservados, seguindo para as gerações jovens. Além disso, cabe à Funai estabelecer centros culturais indigenas nas principais cidades brasileiras, difundindo suas culturas e realidades, com o objetivo de desmistificar tais grupos e combater a intolerância