A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/11/2020
O documentário 500 Almas, cujo enredo retrata a cultura da tribo Guató, expõe o triste fim desse povo, uma vez que foram dizimados, durante o século XVIII, por doenças trazidas por bandeirantes paulistas. Sob esse prisma, nota-se que hodiernamente no Brasil, esse cenário continua ocorrendo em território nacional, ameaçando a extinção permanente de línguas indígenas, que são parte da cultura do pais. Nesse sentido, dois aspectos podem ser destacados como causa e devem ser combatidos pelo governo: a falta de fiscalização e a desvalorização da dialeto.
Em primeiro lugar, a Constituição Federal de 1988 prevê para os índios a garantia de preservação de suas terras, além do recebimento de auxílios para a manutenção de sua cultura local. No entanto, de acordo com a Cidadania de Papel proposta pelo jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, no país, apesar de possuir leis protecionistas e consistentes, essas se atêm apenas ao plano do papel. Dessa forma, pode-se notar que a extinção de línguas indígenas brasileiras têm como principal causa a negligência estatal perante essa parte da identidade nacional, permitindo que haja a ocupação ilegal de terras destinada a indígenas, impedindo a manifestação da cultura.
Em segundo lugar, o desmerecimento da língua indígena acarreta em uma perda frequente dela no país. Dessa maneira, segundo Foucault, filósofo francês, em sua teoria da Microfísica do Poder, um indivíduo exclui outro, por meio do discurso e de atos, para poder manifestar sua própria influência. Sendo assim, a língua indígena vem sendo, gradativamente, extinta, devido à influência do Brasil Colonial, em que a cultura e linguagem europeia foi imposta para os índios. Por conta disso, é preciso que haja uma conscientização para findar esse pensamento de superioridade e, consequentemente, a sobreposição dos dialetos.
Urge, portanto, que o Poder Público aja para combater a perda dessa importante parte da cultura brasileira. Para isso, cabe à Secretaria do Índio a criação do projeto “Recuperando as origens”, por meio de verbas públicas, que terá duas principais frentes de atuação. Seu primeiro objetivo será contratar guardas florestais para verificar as terras destinadas aos indígenas, exigindo relatórios semanais sobre a situação desses ambientes, visando à diminuição do desmatamentos ilegais e exploração de recursos; Já o segundo objetivo será veicular propagandas, mediante as mídias sociais - para que haja um maior alcance -, expondo o malefício do pensamento de superioridade presente atualmente, engendrando, assim, na união entre todos os povos brasileiros. Com isso, criar-se-á um ambiente permissível e propenso para a manifestação da lingua indígena, impedindo seu fim.