A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 08/12/2020
No livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o protagonista considera o “tupi” como dialeto digno de tornar-se o oficial falado no país. Nesse aspecto, verifica-se que essa valorização de línguas indígenas não é afirmada no plano da realidade, fato que tem condicionado a extinção de muitas delas. Nesse sentido, infere-se que os motivos para esse desaparecimento baseiam-se na marginalização dos índios, bem como no desinteresse pela preservação do patrimônio linguístico.
De antemão, percebe-se que a marginalização dos povos indígenas representa um dos principais fatores que impulsionam a extinção das línguas dessa parcela social. Nessa lógica, é possível analisar a teoria do linguista Marcos Bagno, a qual expõe que a linguagem serve para a inclusão de grupos marginalizados. Nesse viés, chega-se à conclusão de que o idioma simboliza um elo inclusivo para a sociedade, de modo que o fato dos dialetos dos índios sofrerem risco de desaparecimento revela um grave percalço para o contexto democrático. Isso porque o esquecimento e escanteio dessa parte da população facilita a aversão pela valorização e preservação desse patrimônio linguístico, o que direciona a temática para um aspecto contrário à dinâmica grupal acolhedora teorizada pelo pensador.
Além disso, infere-se que o desinteresse para com a preservação do patrimônio linguístico nacional revela outro motivo impulsionador da extinção de línguas indígenas. Nessa ótica, é possível analisar a teoria do escritor Sérgio Buarque de Holanda, a qual expõe que o povo brasileiro é desterrado em sua própria terra, de modo que a valorização dos estrangeirismos importados suprime o sentimento identitário. Nesse âmbito, chega-se à conclusão de que esse descaso para com a cultura pátria dificulta a frenagem da dinâmica extinguidora de dialetos dos índios. Isso porque a carência de interesse preservacionista impede o entendimento popular do “Brasil” como um país plural, multicultural e miscigenado, fato que agride a permanência das raízes formadoras do idioma oficial.
Portanto, verifica-se que a extinção de línguas indígenas deve ser combatida. Logo, cabe Ministério da Educação, em parceria com o das Comunicações, findar a marginalização dos índios, bem como atenuar o desinteresse para com a preservação do patrimônio linguístico. Isso deve ser feito por meio da criação do projeto “Brasil multilinguístico”, o qual destine verbas para o adquirimento de materiais didáticos específicos para a implantação de uma nova disciplina à grade escolar, a qual esclareça a importância histórica dos dialetos paralelos ao português na constituição do idioma oficial. Essa atitude deve ser tomada para que o escanteio seja findado. Também, essa ação deve investir em comerciais televisivos que explorem, didaticamente, a necessidade de manutenção dessas linguagens para o viés identitário de parcelas sociais, a fim de que o interesse pelo viés preservacionista seja atingido.