A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 01/12/2020

Após o processo de independência Brasileiro, em 1822, a primeira fase do Romantismo - Indianista - ganhou relevância por propor uma identidade ao povo brasileiro, utilizando o Índio como herói nacional no mundo literal opondo a realidade. Expoentes, desse fase, são obras como “O Guarani” e “Iracema” ambos de José de Alencar. Entretanto, ainda que os povos autóctones servissem como modelo, na prática, eles eram desrespeitados e desvalorizados. Sob esse viés, faz-se necessário compreender o processo de aculturação sob a ótica linguística, bem como a importância da estrutura de poder na permanência ou na extinção das línguas indígenas brasileiras.

É fundamental, em primeira análise, observar com, nos primeiros anos da colonização, a língua símbolo de um processo de aculturação. Isso porque, com a invasão dos portugueses e os jesuítas - que tinham como objetivo “salvar o povo de aqui viviam”, mas também usurpar as riquezas - iniciou-se um processo de assimilação e fusão cultural e , portanto linguística, dando origem à língua-geral, a qual era utilizada no dia a dia, passada de modo osmótico entre os colonos, já o português da metrópole era ensino nas escolas. Tal modo de sociabilização, teve reflexos hodiernamente, pois o modo formal, como foi transmitido o português, fez com que hoje o Brasil tenha ele como língua predominante e as línguas indígenas que inicialmente eram 1,2 mil, hoje restam apenas 274, e entre elas 190 correm risco iminente de desaparecer, consoante ao Atlas das Línguas em Perigo da Unesco.

Analisa-se, ainda, a estrutura e relações de poder na permanência das línguas indígenas brasileiras. Ao tomar como base o pensamento do filósofo Michael Foucault, em descreve o poder de disciplinar e a microfísica dele, sob a luz de que ideia central dos sistemas de pensamento e conhecimento são governados por regras, além da gramática e da lógica, que operam sob a consciência de sujeitos individuais e definem um sistema conceitual. Desse modo, pela lógica colonial de que a cultura europeia era “superior” à dos povos indígenas, pouca se valorizava, passando a se perder através do tempo o contato com outras culturas, a idade avançada dos falantes, e , por fim, extinguindo-se.

Urge, então, a necessidade de valorização da cultura indígena. Para tanto, cabe à secretaria de Cultura, associada aos Centros Educacionais, lugares que fomentam o desenvolvimento de sujeito autônomos, promoção de ampla divulgação cultural da linguística indígena. Isso por meio de palestras, com índios de etnias da região e professores de história, abordando o possível apagamento cultural pela extinção da língua, além disso, será disponibilizado cursos para aprofundar no ensino das línguas. Assim, por meio da valorização cultural, a língua e a cultura estará sendo, de fato, respeitada e preservada, concretizando o cenário idealístico do romantismo, que na prática destoava.