A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 01/12/2020

“Genocídio”, palavra originada do grego e do latim, é definida pela Organização das Nações Unidas como o assassinato ou o atentado grave à integridade física ou mental de um grupo ou parte dele  e que atende à critérios étnicos, religiosos ou de nacionalidade. Concomitantemente, no Brasil, a partir de 1530, durante o período da colonização, grande parte da população autóctone foi exterminada. Tal acontecimento repercute até hoje, tendo em vista  a extinção das línguas indígenas, o que demonstra a desvalorização da cultura deste povo por base da alienação de toda uma sociedade.

A priori, é importante ressaltar que os costumes, a crença, a organização social e familiar, a arte, o conhecimento científico e todos os aspectos que relacionam-se e formam a etnia aborígene brasileira sofreram um processo violento e brusco de sucateamento em detrimento do modo de vida europeu. Logo, a sociedade brasileira atual surgiu e foi firmada a partir de ensinamentos que embutiram a ideia de que todos os aspectos socioculturais das civilizações brancas são superiores. Analogamente, essa ideia se confirma pelo pensamento do antropólogo Claude Lévi-Strauss, de que o coletivo pode ser entendido a partir da análise dos acontecimentos históricos, das relações, e das forças que estruturam a sua formação.

Por conseguinte, é possível explanar a questão do abandono dos linguajares indígenas até seu completo desaparecimento. Haja vista, a informação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), de que existiam 1,2 mil destes dialetos no início da colonização e restaram 274, dos quais 190 podem ser extintos. Ademais, por negligencia governamental, perde-se um importante patrimônio imaterial, já que, segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir os direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional, além de apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais.

Portanto, medidas são necessárias para impedir que mais desse patrimônio seja perdido. Sendo assim, cabe ao Governo Federal, junto ao Ministério da Educação, à Secretaria Especial da Cultura e à Unesco, investir na implementação, em diferentes níveis educacionais, de conteúdos voltados ao estudo da cultura indígena com ênfase para os seus inúmeros dialetos para incentivar a valorização dos mesmos. Assim, nas escolas municipais e estaduais, deve-se aumentar o enfoque acerca do tema nas disciplinas de Artes e História através de instrumentos interativos, como oficinas, feiras e grupos de estudos realizados pelos alunos. Bem como, nas graduações voltadas ao ensino, incluir cursos e disciplinas extras na grade curricular. Somente assim, a ideia de superioridade europeia, gerada historicamente, será combatida.