A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 01/12/2020
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), todos os indivíduos têm o direito à educação, preservação de sua cultura e ao bem-estar social. Entretanto, o cenário visto em relação a extinção de línguas indígenas no Brasil ainda impede que certa parcela da população desfrute de seus direitos na prática, devido não só deficit educacional, mas também a ineficiência do Estado.
Em primeiro plano, evidencia-se que a educação é fator determinante no desenvolvimento de um país. Ocupando a nona posição na economia mundial conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI), seria racional acreditar que o Brasil possui um ensino público eficiente e igualitário. No entanto, a realidade é justamente o oposto, e o contraste disso é claramente refletido na problemática. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 41% das instituições de ensino do país possuem em sua base curricular disciplinas relacionadas a cultura indígena. Diante de tal contexto, é inadmissível que, em pleno século XXI, 59% das escolas brasileiras não ensinem aos seus alunos a importância de conhecer seus antepassados, por meio de sua culinária, rituais festivos e língua nativa.
Além disso, a ineficiência do Estado também é agravante do problema. Conforme dados da Unesco, mais de 190 línguas indígenas correm risco de extinção no país em menos de 15 anos, coordenadora da Unesco, Myriam Tricate, alerta que a negligência estatal em lidar com a problemática acaba por agravar o cenário, visto que o contato com outras culturas, a idade avançada dos falantes e a falta de valorização dos povos indígenas influenciam para que as línguas acabem desaparecendo ao longo do processo histórico. Nesse sentido, medidas são necessárias para resolução deste empasse.
Fica evidente, portanto, que ainda há empecilhos para garantir a construção de um mundo melhor. Desse modo, urge que o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, financie e desenvolva projetos nas escolas, por meio de nativos e historiadores, com objetivo de demostrar aos seus alunos a magnífica cultura indígena e a importância de preserva-la para as futuras gerações. Além disso, cabe ao Ministério da Cultura promover projetos nas tribos, com objetivo de documentar o máximo de informações sobre a sua cultura e língua de determinada aldeia, a fim de evitar futuras extinções culturais ao longo dos anos. Dessa forma, o Brasil poderá superar o problema e garantir não só no papel, mas também na prática a Declaração Universal dos Direitos Humanos.