A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 03/12/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, haja vista que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, no ano de 2008, revelou que 12 das 190 línguas indígenas brasileiras foram extintas. Com isso, surge a questão da preservação das línguas indígenas no Brasil, que persiste intrínseco à realidade brasileira, seja pelo legado histórico, seja pela base educacional lacunar.

Primeiramente, é preciso salientar que o problema da ameaça às línguas indígenas tem como raiz o legado histórico do país. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a extinção de línguas indígenas, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira que é marcado pelas missões jesuítas orquestradas pela igreja católica e aos incontáveis abusos perpetrados pelos colonizadores no país, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Em segunda análise, outra causa para a configuração do problema é a base educacional lacunar. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se tem um problema social, há como base um problema educacional. No que tange à extinção de línguas indígenas no Brasil, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola e os próprios educadores desvalorizam a cultura nativa e não cumprem seu papel no sentido de reverter e prevenir o problema, visto que não têm trazido esse conteúdo para a sala de aula. Dessa forma, a exclusão é, sobretudo, reflexo da falta de um projeto nacional de preservação cultural.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária para contornar a situação da extinção da cultura nacional. Para isso, é necessário que o MEC, em parceria com as tribos indígenas, desenvolvam projetos de valorização e ensino das línguas, por meio de rodas de conversas e debates no ambiente escolar, tais eventos devem contar com a presença de professores, historiadores e sociólogos. Além disso, esses projetos pedagógicos devem ser abertos à toda comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a importância da preservação das línguas indígenas e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções.