A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 04/12/2020
No início do século XVI, com as expansões marítimas, os portugueses chegaram ao Brasil. Os índios que já habitavam a terra não gozavam de autoridade e foram submetidos, com bastante resistência, aos estrangeiros. Nos dias que correm, sabe-se que os indígenas foram os primeiros nativos brasileiros responsáveis pelas raízes da nação. Por isso, bem como por serem humanos iguais aos outros, são dignos de valorização e sua cultura deve ser preservada. Embora tais elementos sejam coerentes e necessários, a realidade é discordante. Nesse caso, a extinção da cultura desse povo é clara, em principal, no que diz respeitos às línguas.
Em primeiro lugar, cabe analisar a relação intrínseca que há entre os costumes e as pessoas. Pela Organização das Nações Unidas, 2019 foi o ano das línguas indígenas. De acordo com Vatican News, que trata do evento e da sua relação com autoridades religiosas, o Papa Francisco diz que a extinção de uma cultura é tanto ou mais grave do que a de uma espécie de animal ou planta. Tal afirmação, por sua vez, é factual. Segundo o Dicionário Aurélio, cultura é um complexo de padrões ou um conjunto de conhecimentos que compõem a sociedade, como suas crenças, valores, linguagens, comportamentos e afins. Portanto, o idioma de um coletivo faz parte de sua identidade; é o que o construiu e ao mesmo tempo foi construído pelo grupo, sendo inseparáveis. Assim, nota-se que é imprescindível valorizar e preservar as línguas indígenas, haja vista que isso equivale ao cuidado com o próprio povo.
Contudo, o cenário real dos dias que correm é díspar a postura coerente de apreciação da temática. De acordo com “Formigas”, livro de William Douglas e Davi Lago, de 2016, existem algumas características essenciais para o funcionamento da sociedade como um todo, são elas: o trabalho em equipe e a iniciativa para prever e solucionar problemáticas. Entretanto, percebe-se que as línguas indígenas são extintas ano após ano em passividade, sem esforço em prol da questão. Pela plataforma Monitor Mercantil, mais de mil e duzentas línguas dos índios foram reduzidas a 274, do Brasil colônia à República. Logo, é possível constatar que a extinção é uma causa real, mas ainda ignorada.
Destarte, para que haja revitalização das línguas indígenas no Brasil, além da sua propagação, o Ministério da Educação, juntamente ao Poder Executivo, deve desenvolver um projeto de fomentação do ensino da cultura indígena nas escolas e de sua contribuição para a sociedade atual, com palestras sobre o tópico três vezes ao ano. Ainda, é necessária a divulgação da temática para a sociedade, com enfoque em resultados mais rápidos. Isso tudo, por meio da preparação de professores para a tarefa e pelas mídias sociais, como as redes, plataformas digitais e televisões. Desse modo, a extinção será interrompida e tanto a língua como a cultura de todo um povo serão preservadas.