A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 12/12/2020
Após a chegada dos portugueses no Brasil, em 1500, os diversos povos nativos foram submetidos aos aldeamentos, no qual tinham sua identidade trocada pelos valores europeus. Sob essa ótica, as línguas dos indígenas também sofreram essa substituição, resultando no apagamento de uma grande parcela dos idiomas que eram falados antes do período colonial. Atualmente, as poucas linguagens restantes continuam a desaparecer, mas dessa vez por causa da falta de incentivo e reconhecimento governamental, como também pela redução dos territórios indígenas.
De fato, o Brasil não tem medidas efetivas para regulamentar e investimentos para a manutenção das diversas línguas nativas. Segundo a UNESCO, existe nas terras brasileiras, 190 idiomas em risco de extinção, algumas com situações críticas, restando apenas um ou dois falantes vivos. Assim, não há trabalho por parte do governo de resgastar essa herança, muitas vezes não reconhecendo-a como uma língua ou considerando-a inútil para a sociedade, dessa forma, esse pensamento se tornou naturalizado na população e até os próprios indígenas já não se interresam tanto por suas raízes, sendo conduzidos a descarta-las.
Ademais, as reservas dos grupos nativos são constatemente desrespeitadas e invadidas, por vezes resultando na expulsão ou morte desses indivíduos. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em 2019, ocorreu 256 invasões a comunidades indígenas em 23 Estados, desestruturando e destruindo as aldeias. Sob essa perspectiva, os espaços de liberdade de expressão e acolhimento para as línguas de sua cultura são ceifados e muitos dos falantes são mortos, enfraquecendo o uso dessas palavras para a comunicação e sendo quase impossível manter o idioma vivo em outra região por causa do preconceito e, como já dito anteriormente, o desincentivo social que persiste na mentalidade brasileira.
Em suma, as línguas nativas são diariamente dilaceradas desde a invasão pelos portugueses, em consequência muitas desapareceram e não tem esperanças de serem resgatadas. Desse modo, é necessário que o governo tenha ações urgentes para preservar os territórios indígenas por meio da expansão de demarcações e o aumento de segurança com postos de ajuda para auxilia-los durante invasões, a fim de manter a autonomia e o espaço para o desenvolvimento da língua, para que frases como “O Brasil é o museu do índio” de Millôr Fernandes, não se tornem reais.