A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 07/12/2020

A obra “Iracema”, de José de Alencar, realçou a cultura indígena durante a fase romântica indianista, a qual foi marcada por diversas obras similares e traços nacionalistas marcantes. Não obstante, o livro mostra o começo da miscigenação dos nativos, impulsionada pelos colonizadores portugueses. De maneira similar à ficção, no Brasil hodierno, o patrimônio indígena, sobretudo o linguístico, ainda é negligenciado. De fato, as línguas indígenas sofrem ameaças de extinção devido, principalmente, à desvalorização da cultura nacional e ao extermínio dos indígenas. Logo, é urgente que o Poder Público e a sociedade consolidem a solução dessa árdua conjuntura.

Em primeiro plano, o patrimônio indígena brasileiro é tratado com displicência. Segundo os pensadores Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural, ao impor uma cultura dominante sobre outra, engendra a cultura de massa, o que acarreta na desvalorização da herança nacional. Sob essa perspectiva, as influências, em maioria, norte-americanas tornam-se mais atrativas e geram mais lucro, em detrimento da cultura nacional. Dessa maneira, idiomas não-brasileiros, assim como produtos, tendem a ser negligenciados pela população.

Outrossim, a diversidade avassaladora de habitantes brasileiros que não são nativos coloniais respalda essa apatia. Segundo o IBGE, somente 1% da população se declara indígena no Brasil. Nesse sentido, o povo que, há 500 anos, era dominante no território nacional, foi reduzido até ser considerado uma minoria na sociedade atual. Sob esse prisma, desde a Carta de Pero Vaz de Caminha, há uma visão preconceituosa sobre os indígenas, os quais eram escravizados, obrigados a seguirem os padrões portugueses ou mortos. Nesse sentido, a extinção de diversos idiomas pertencentes à cultura indígena foram eliminados com os falantes.

Urge, portanto, a necessidade de valorizar a cultura indígena no Brasil, visto que os idiomas e adeptos sofrem perigo de extinção. Para que isso ocorra, a Mídia, juntamente com a sociedade e o Ministério da Educação e Cultura, deve promover o ensino de línguas nativas. Isso deve ocorrer por intermédio da criação de cursos com os mais diversos idiomas e exposição dos costumes indígenas, principalmente na educação infantil, os quais devem ser oferecidos, também, digitalmente e serem compartilhados pela mídia. Essa alternativa visa desconstruir preconceitos e preservar a cultura indígena. Dessa maneira, a herança nativa poderá ser passada para as futuras gerações.