A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 10/12/2020
Na primeira geração do romantismo na literatura, o índio é caracterizado como herói nacional, com um intuito de valorizar a natureza brasileira e como símbolo de nacionalidade. No entendo, hoje em dia a realidade é outra, a cultura e imagem do índio são desvalorizadas refletindo, assim, na continua e lamentável extinção de suas línguas e desrespeito com o seu povo.
Primeiramente, vale analisar a ligação da realidade atual dos indígenas com o cenário do ano de 1500 em que os padres jesuítas catequizavam um povo visto desde o princípio como inferior e sem uma religião e costumes aceitáveis. Ademais, além das imposições e influências europeias na antiguidade, atualmente o indígena sofre uma influência consequente da globalização. Como por exemplo, segundo Myrian Trincate, coordenadora nacional do programa de escola associada à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Cultura e a Ciência), o contato com outras culturas, o fato dos falantes da língua indígena serem de idade avançada, mais a falta de incentivo do país de manter a cultura dos nativos, os índios jovens têm cada vez menos interesse de passar adiante sua língua de origem, esta, desaparecendo a cada geração.
Dessa forma, segundo a UNESCO, das duzentos e setenta e quatro línguas indígenas, cento e noventa correm risco de desaparecer. Contudo, é de grande relevância também os fatores socioeconômicos, como os conflitos comuns que acontecem entre índios, agricultores e garimpeiros, como o massacre de Haximu, considerado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) uma chacina, onde segundo o G1, um grupo de 16 índios foi morto por garimpeiros, em Roraima, em 1993. Assim, com pessoas tentando tomar posse de reservas indígenas, os mesmos sofrem com a possibilidade de perder suas moradias, seus territórios por direito, aumentando ainda mais a dificuldade de manter seus costumes, explorar suas cultura e interagir com outras tribos, como diz a música “índio” de legião urbana “o futuro não é mais o mesmo como antigamente”.
Urge, portanto, o estado brasileiro atuar junto à FUNAI (Fundação Nacional do índio) no monitoramento e fiscalização das reservas indígenas para o fim de invasões nesses territórios, gerando um espaço seguro para esse povo desenvolver suas línguas e costumes ancestrais. Ademais, o desenvolvimento de projetos sociais como investir em escolas indígenas, promovendo jovens Índios com o conhecimento de sua cultura e seus direitos. Por fim, é preciso através do governo nas escolas públicas e instituições privadas, a conscientização dentro das salas de aula sobre respeito com o povo indígena, povo sofredor e até hoje visto como inferior, formando cidadãos cientes da importância de deixar viva a cultura mais antiga do Brasil.