A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 08/12/2020
A Constituição cidadã inovou ao incluir uma série de proteções aos povos indígenas após um período histórico de grande omissão institucional do governo brasileiro. Apesar disso, as línguas indígenas estão em franca ameaça de extinção no Brasil. Tal fenômeno possui como causa o crescente isolamento linguístico e a ineficácia dos mecanismos de proteção desses grupos.
Em primeiro lugar, o isolamento linguístico é um dos principais motores da problemática. Isso porque, na visão do filósofo Ludwig Wittgenstein, a linguagem é uma ferramenta diretamente relacionada com a existência, pois sem ela o indivíduo fica incapaz de interagir com o meio. Assim como o índio, que é forçado a mudar sua forma de comunicação para não sofrer um processo de marginalização, uma vez que inexiste um número expressivo de interlocutores capazes de compreender a sua mensagem em idioma nativo. Nesse prisma, não ser entendido afeta o próprio ser, o que colabora com a crescente extinção dessa herança humanitária em prol de aceitação e integração social.
Em segundo momento, a ineficácia dos mecanismos de assistência aos indígenas figura como outra causa da problemática. Segundo dados da Unesco, 190 línguas indígenas correm o risco iminente de extinção e mais de 800 já foram extintas no Brasil, o que evidencia a insuficiência de medidas do Governo Federal coordenadas com a Fundação Nacional do Índio, a Funai, ao longo dos anos. Sendo assim, no paradigma atual, uma grande parte da história e cultura brasileira nativa é perdida lentamente com a outorga das autoridades.
Logo, indiscutivelmente, ações são necessárias para resguardar o patrimônio linguístico originário do Brasil. Nessa lógica, o Governo Federal, por meio da Funai e do Ministério da Educação, deve criar um programa de estímulo e proteção das línguas indígenas. Tal plano será concretizado por meio de investimentos orçamentários na Funai e com a finalidade de montar verdadeiros museus vivos dos idiomas nativos, que deve incluir a participação de escolas e festivais tradicionais para consolidar a integração comunicativa e cultural desses grupos, o que resguardaria a herança linguística nacional. Somente assim, por meio de medidas educacionais e culturais, será possível reverter esse quadro para que as línguas nativas não se transformem em um passado distante e esquecido.