A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 09/12/2020
Theodor Adorno, em sua obra “Dialética do Esclarecimento”, defende um projeto de libertação do homem da massificação e opressão, por meio de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o homem deve caminhar na direção de uma consciência crítica baseada na dignidade e respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, há a questão da extinção de línguas indígenas no Brasil, o que revela como a sociedade hodierna ainda apresenta um longo caminho para se atingir um mundo social mais equilibrado.
Em primeira análise, verifica-se que, ao longo da história do ocidente, consolidaram-se discursos de poder vinculados à determinados padrões sociais, que foram responsáveis pela supervalorização de um segmento da sociedade em detrimento de outro. Esse processo, resulta na banalização do ódio direcionados contra setores da sociedade alijados do poder. É o que claramente se vê, nos dias atuais, no problema de extinção de línguas indígenas, sendo que desde o descobrimento do Brasil em 1500, por Álvares Cabral, houve a imposição de costumes europeus aos nativos do território ocupado, os índios.
Desse modo, segundo a agência UNESCO, são preservadas apenas 274 línguas indígenas, de um total de 1,2 mil antes da colonização. Sendo assim, nota-se nesse viés, consequências negativas da preocupante não preservação da cultura do povo nativo do Brasil. Por conseguinte, há o não respeito com os direitos humanos, por não haver garantia da dignidade aos índios. Ademais, há o risco de comprometimento do patrimônio cultural da história brasileira, pois à língua indígena é fundamental para o estudo de uma nação.
Feita essa análise, fica evidente a necessidade de ações conjuntas promotoras do bem-estar coletivo. Torna-se imprescindível, portanto, que a educação, como instrumento de metamorfose social, atue com palestras e debates, por meio de organizações de bairro e escolas, a fim de promover maior conscientização acerca da importância da preservação da língua dos nativos brasileiros. Ademais, faz-se necessário que o Estado, como gestor social, atue disponibilizando recursos financeiros para exposições indígenas, conjuntamente ao Ministério da Cultura, de modo a promover maior conhecimento sobre o povo apresentado. Somente assim, poderemos seguir os preceitos guiados pelos filósofo Theodor Adorno, na direção de um mundo mais empático, com a diminuição da extinção das línguas indígenas no Brasil.