A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 09/12/2020

Um Novo Nascimento

Para o antropólogo Jordan Peterson, o maior sinal de fortalecimento de um povo é a manutenção de sua língua e de seus costumes. Entretanto, no Brasil contemporâneo, o legado cultural de diversos grupos indígenas se encontra em um verdadeiro estado de ostracismo. A supressão das identidades nativas e as tentativas de reavivamento cultural são dois tópicos fundamentais a serem discutidos de modo a melhor compreender o tema.

Primeiramente, é preciso afirmar que grande parte da identidade cultural dos indígenas foram destruídas ao longo dos séculos. Desde a descoberta da Terra de Santa Cruz pelos portugueses e o início da colonização, epidemias, regimes de escravidão e diversos massacres marcaram a história da relação entre nativos e colonizadores. Em detrimento de um expressivo poderio bélico, os europeus não só impuseram sua cultura coercitivamente, mas destruíram elementos vitais da história dos índios. Por consequência, nos dias atuais, a manutenção dos arquivos históricos imateriais é mínima. De acordo com um levantamento de 2017 da FUNAI, apenas 18% das línguas faladas no século XVI permanecem em atividade. Assim, é possível concluir que a relação opressiva entre colonizados e colonizadores exerceu uma grande influência na decadência cultural indígena.

Por outro lado, também houve muitas tentativas de divulgação das culturas nativas no meio artístico e político nos últimos anos. Na literatura, diversos autores do modernismo, como Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, promoveram o protagonismo do tupi-guarani e de personagens indígenas, como forma de consolidação da identidade cultural brasileira. Já no espectro político, a Constituição de 1989 foi a primeira a exaltar a inclusão social de todos os brasileiros como pilar fundamental da democracia moderna, elevando assim os status social dos índios, antes excluídos. Todavia, os esforços não foram suficientes para a preservação da identidade desses grupos. Portanto, medidas mais eficientes são necessárias a fim de garantir a existência das línguas nativas.

Em suma, a sobrevivência de um povo depende diretamente da manutenção de sua cultura. De modo a resolver o problema da extinção das línguas indígenas, é urgente a criação de uma grade escolar adicional para as escolas em regiões de aldeias pelo Ministério da Educação e Cultura, por meio de um projeto de emenda constitucional. Por conseguinte, as novas gerações descendentes das populações nativas garantirão a reprodução das línguas e o legado de diversos povos, uma verdadeira oportunidade para um novo nascimento.