A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 21/12/2020

Mucunaíma, personagem de Mário de Andrade, é o reflexo da estereotipação dos povos indígenas no Brasil. Tal personagem é retratada de modo distorcido como responsável pelos atributos negativos do brasileiro. Fora da ficção, a desvalorização do índio é uma realidade no país, em razão da extinção das línguas indígenas. É inegável que isso tem origem da negligência do Estado sob o viés de preservação da identidade e consectivamente da linguagem desses povos. Destarte, dentre os fatores que incitam na persistência desse problema destacam-se a perda de terrritórios alicerçada com a ausência de preocupação com a preservação das línguas nativas.

A priori, vê-se que antes da vinda dos europeus havia 1500 línguas nativas no Brasil,hodiernamente, consoante os dados da Unesco têm-se 180  línguas. Nessa ótica, é visível que tais línguas estão ameaçadas e muito do seus falantes deixam sua língua materna pelo português. Isso se deve a perda ou expulsão dos índios de suas terras, em virtude da falta de proteção. Consequentemente, perde-se também os falantes das línguas, os quais são responsáveis por mantê-la viva, assim provoca seu desaparecimento gradual.

A falta de preocupação está intrisecamente ligada a desvalorização do código indígena, cujo impacto se dá no aumento da vulnerabilidade desses povos em relação a manutenção do seus ancestrais. Em virtude, da inércia das autoridades associada a uma visão etnocêntica que desmerece o léxico dos nativos, pois além da falta de assistência quanto a preservação,as pessoas tem uma visão preconceituosa, isto é, acham que as línguas indígenas não possuem regras gramáticais como qualquer outra, sendo apenas um dialeto com gírias, de modo a enaltecer a língua indo-europeia.

Portanto, fica claro a negligência quanto a valorização das línguas indígenas. Assim, urge o Governo Federal como agente da resolução dessa questão ao propor a criação de um Decreto Federativo que instaure um Plano Nacional de Combate a Extinção das Línguas Indígenas, a fim de evitar a perda das línguas ameaçadas. Nesse plano, cabe desenvolver projetos de leis a serem votados no Congresso Nacional que proponha proteção aos territórios dos índios para o seu autodesenvolvimento socioeconômico, com a finalidade de que cada povo continue desenvolvendo sua língua, cultura e ancestrais. Outrossim, vale incluir a criação do Istituto de Línguas Indígenas para dar assistência no processo de documentação e revitalização de suas línguas.