A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 17/12/2020

Reconhecida, no século XVII, como a principal língua falada nacional, o Guarani era a base da comunicação entre portugueses, luso-brasileiros, indígenas e africanos. Com o passar do tempo, no entanto, os dialetos nativos perderam relevância no país e, atualmente, correm risco de extinção devido, principalmente, à negligência do Estado e às pressões de uma sociedade globalizada.

A princípio, a matriz do problema é evidenciada ao analisar o descaso estatal na preservação do patrimônio linguístico nativo. Esse “fechar os olhos” governamental decorre da falta de apoio público com os povos autóctones que os tornam cada vez mais vulneráveis ao desaparecimento, seja ele cultural ou populacional, devido aos ataques de posseiros na disputa por terras remarcadas. O problema disso é que, tais ameaças, resultam na extinção de patrimônios imateriais de uma população  pioneira e, consequentemente, no apagamento do seu “falar” o que, por sua vez, segundo o linguista Marcos Bagno, relaciona-se com a extinção de um povo, haja vista a relação entre língua e identidade. Desse modo, isso revela o Estado como mecanismo legitimador do apagamento linguístico dos nativos.

Além disso, o problema se agrava ainda mais ao analisar, também, a atual sociedade global do país como agente promotor da extinção dos idiomas indígenas no Brasil. Isso acontece devido ao próprio modelo de capitalista global existente no corpo social brasileiro, que tenta otimizar o modo de vida para adequar-se aos padrões alinhados com os mercados financeiros globais. A problemática disso é que se cria um mecanismo de rejeição produtos locais em detrimento da universalização o que, por sua vez, resulta no desaparecimento de idiossincrasias de um povo, como as línguas nativas, por exemplo. Isso fica evidente, segundo o geógrafo Milton Santos, no aspecto de “cadeia alimentar” cultural da globalização em que os países de maior relevância econômica impõem sua hegemonia e, consequentemente, anulam os elementos culturais das nações subordinadas. Isso revela que esse modelo globalizado de sociedade contribui diretamente com o apagamento desse elemento cultural.

Portanto, é preciso preservar o patrimônio linguístico nativo nacional. Com isso, cabe ao Estado promover a manutenção desses povos e sua línguas, assim como o seu reconhecimento na sociedade por meio da implementação de atividades obrigatórias de valorização do patrimônio linguístico nativo na matriz curricular nacional, com pesquisas, feiras culturais para aproximar os estudantes da cultura base do país. Além disso, é preciso que o Estado, também, realize políticas públicas eficientes de proteção desses povos, por meio de parcerias público-privadas, oferecendo benefícios fiscais às empresas que investirem na modernização e proteção das reservas indígenas para garantir o estabelecimento necessário desses povos no território nacional.