A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 21/12/2020

A Constituição de 1988, promulgada no período de redemocratização pós-ditadura militar, defende a preservação e o acesso à cultura nacional. Todavia, esse direito não é exercido corretamente, visto que, de acordo com dados divulados pelo Atlas Mundial das Línguas, quase 90% dos idiomas indígenas brasileiros foram extintos. Esse cenário é um reflexo da colonização exploratória portuguesa em paralelo à enorme variedade cultural no território brasileiro. Destarte, a extinção de línguas indígenas no Brasil deve ser combatida imediatamente, em respeito aos povos falantes que resistiram durante séculos de opressão.

Em primeira análise, é de conhecimento geral que, até meados do século XIX, o Brasil era colônia de exploração de Portugal. Conforme a perspectiva filosófica de São Thomas de Aquino, os indivíduos de uma sociedade possuem os mesmos direitos e importância, no entanto, esse raciocínio diverge da sociedade brasileira, pois, durante séculos, os portugueses tentaram apagar a cultura indígena do país por meio da escravização e do catecismo. Tal atitude permaneceu enraizada na comunidade, influeciando no comportamento dos cidadãos atualmente, uma vez que demonstram quase nenhum interesse na conservação da cultura indígena. Desse modo, ao longo dos anos, a minoria indígena do país é cada vez mais esquecida pela sua própria nação.

Outrossim, o processo de formação do povo brasileiro inciado com o Período Colonial reuniu pessoas de diferentes culturas e etnias sob mesmos território, ocasiando uma alta variedade de costumes e tradições. Segundo a teoria do “Habitus”, de Pierre Bourdieu, o indivíduo nasce com liberdade de escolha, mas ele é influencido pelols hábitos já existentes na sociedade. Partindo desse princípio, como as escolas ensinam somente o portuguêse, sem dar devida atenção aos outros idiomas que são falados pelos índios brasileiros, a tendência é que que o cidadão aprenda apenas a língua  classificada como oficial e outras estrangeiras, deixando de lado a herança histórica nacional indígena. Dessa forma, se esse hábito não for combatido, é uma questão de tempo até que todas as línguas indígenas desapareçam.

Fica claro, portanto, que a luta pela sobreviência dos dialetos indígenas deve ser tratada como prioridade pelo governo do Brasil. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação criar um curso para as escolas públicas e privadas que ensine aos jovens brasileiros o básico dos principais idiomas indígenas, por meio de aulas ministradas por falantes nativos. Essas aulas devem ser oferecidas tanto virtual como presencialmente, a fim de que alunos do grupo de risco não precisem se expor ao coronavírus. Sendo assim, a Constituição será cumprida e a cultura nacional preservada.