A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 22/12/2020
De acordo com o pensador Jurgen Habermas, a linguagem constitui uma forma de agir. Isso se explica pelos benefícios que, por se ter bom domínio e demonstração dessa, pode-se conquistar, a exemplo da maior sensação de pertencimento e inclusão. Nesse contexto, vale lembrar que não existe apenas uma língua, mas sim várias e cada uma com seu próprio mecanismo linguístico, como é o caso dos idiomas indígenas no Brasil, os quais são muito importantes para manter a diversidade cultural e as tradições vivas. Entretanto, desde o período da colonização, esses têm se extinguido e, ainda hoje, a situação não é diferente. Assim, a extinção das línguas indígenas continua sendo grande problema, seja pelo contato com outras culturas, seja pelo individualismo da modernidade atual.
Em primeiro lugar, destaca-se a questão da convivência com outras culturas. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, em sua teoria do fato social, demonstra-se a ideia de mudança coletiva que tem impacto direto no indivíduo. A partir desse cenário, nota-se que a relação entre esse grupos distintos reage não só nos comportamentos individuais, mas também na forma de se comunicarem. Bom exemplo disso, pode ser dado por uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação e a Ciência (UNESCO) que diz que das 274 línguas indígenas existentes, 190 correm risco de extinção. Assim, mostra-se importante propor soluções modificadoras, para que os idiomas não se percam.
Além disso, nota-se também, que com o aumento da globalização, houve elevação do pensamento individualista vivenciado na modernidade. Conforme exposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade é influenciada pelo pensar individual. Boa demonstração disso se dá pelo fato de que, mesmo com o Brasil sendo o segundo país possuidor da maior rede de Programas de Escolas Associadas (PEAs), não consegue resgatar, nos grupos indígenas, o senso de pertencer a determinada cultura e seguir o linguajar específico que, por vezes, falta até nos professores. Dessa maneira, torna-se imperativo a proposição de alterações que mudem tais atitudes, em busca de manter tradições milenares.
Em suma, as questões do contato massivo com outras culturas e o individualismo precisam ser solucionados. Portanto, o governo federal, aliado às Comissões Pró-índio (CPIs), deve desenvolver uma lei que proteja as línguas indígenas em extinção e também realizar um programa que aumente o senso cultural dos índios mais jovens, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara do Deputados. Nessa ação deverão ser ministradas palestras, feitas pelos índios mais velhos, sobre a necessidade de manter a língua nativa viva, para que as tradições, como dança, culinária e a própria língua não se percam.