A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 21/12/2020

A presença portuguesa, iniciada no início do século XVI, foi marcada por processos de dominação cultural e de subjugação dos nativos indígenas residentes da recém-descoberta terra americana. Por consequência, a suplantação da cultura portuguesa desencadeou a aculturação dos índios, a partir dos códigos utilizados como meios de comunicação. Dessa forma, a perpetuação dos problemas gerados ainda impacta a realidade dos índios, como a não valorização de suas línguas bem como a expropriação de terras. Assim, esses entraves sociais precisam de um olhar crítico.

Em primeiro plano, é preciso analisar os valores concernentes aos dialetos indígenas na sociedade brasileira. Portanto, de acordo com o educador Marshall McLuhan, a globalização gerou a produção de um modelo cultural global que, por forças das redes de informações mundiais, culminou no sincretismo de todos os povos. Com isso, todas as formas de relações interpessoais são efêmeras e instáveis. Por isso, o crescimento da aldeia global pregada pelo autor faz com que a propagação das línguas indígenas seja ameaçada progressivamente, de maneira a promover a extinção dessas e a aproximação dos atos lusitanos. Sendo assim, é imprescindível a assimilação das linguagens indígenas.

Outrossim, é mister a observação acerca dos latifúndios pertencentes aos índios constitucionalmente. Logo, de acordo com relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), houve um crescimento, em 2019, de, aproximadamente, 135% dos casos referentes às invasões ocorridas em reservas indígenas comparadas ao ano anterior, o qual teve registros de 110 casos. Por esse caminho, de forma a explorá-las, o aumento dos processos de apropriação de terras por estrangeiros causa apatias e debilidades no sistema cultural do índio, a começar pelo crescente risco às suas línguas. Dessarte, a ascenção exponencial das ocorrências indigenistas é fruto da negligência e da irresponsabilidade governamentais.

Face ao exposto, a resolução das problemáticas supracitadas é indispensável. Desse modo, o Ministério da Educação deve promover a inserção - na Base Nacional Comum Curricular - da língua indígena no meio educacional, com aulas periódicas que tratem sobre o ensino dos dialetos locais indígenas e suas respectivas histórias. Por conseguinte, alcançar-se-á a continuação das práticas ameaçadas dos nativos. Não obstante, é necessário que o Tribunal de Contas da União - órgão primordial para questões econômicas - direcione assistência financeira para a intensificação da fiscalização das reservas nativistas, com investimentos voltados à polícia ambiental. Diante disso, o bem-estar social, mental e físico, assim como o desvirtuar-se do pensamento português, será atingido.