A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/12/2020
Desde a colonização portuguesa do Brasil, iniciada em 1530, houve a sobreposição da cultura europeia sobre a indígena. Como consequência, iniciou-se o violento processo de apagamento cultural dos nativos brasileiros, sobretudo a extinção de diversas línguas. Nesse contexto, a falta de identificação que a população brasileira tem com suas origens indígenas e a negligência do poder público impedem a conservação desse rico e importante patrimônio cultural.
Em primeira análise, é inegável que o sentimento de brasilidade foi construído a partir do afastamento das raízes indianistas. Essa realidade se deu graças ao violento “processo civilizatório” ao qual a nação foi submetida, em que subjugou-se pretos e índios na construção do modelo de sociedade, baseado no trabalho escravo, que vigorou nos 4 primeiros séculos da história do Brasil. Nesse contexto, segundo o projeto DNA do Brasil, da Universidade de São Paulo, 34% do DNA materno dos brasileiros é de origem indígena, contra apenas 0,5% de origem paterna. Essa assimetria comprova o extermínio de homens e estupro de mulheres cometidos em terras nacionais, o que explica a aniquilação de grande parte das mais de 1200 línguas aqui faladas antes da chegadas dos portgueses, já que, com a miscigenação forçada, prevalesce a cultura do grupo dominante.
Em segunda análise, o abandono governamental frente à questão indígena é inaceitável, porém habitual. Segundo o Atlas Mundial das Línguas, elaborado pela ONU em 2008, o Brasil é o 3° país com o maior número de línguas ameaçadas em todo o globo. Nesse sentido, infelizmente, até hoje, não se tem uma política pública voltada exclusivamente para a conservação das línguas do país. Ademais, a postura do chefe do executivo corrobora para o desleixo observado com esse setor da sociedade, o que fica claro por meio de declarações por ele dadas, como “as minorias devem se curvar às maiorias”. Dessa maneira, setores do próprio governo, como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) têm seu trabalho dificultado.
Em suma, o apagamento da cultura indígena, sobretudo a extinção de diversas línguas, é um problema negligenciado pela sociedade e pelo Estado. Assim, é necessário que esses setores atuem em conjunto. Primordialmente, escolas devem trabalhar a visão que as pessoas têm da participação indígena na formação do povo brasileiro por meio da valorização de personagens da história dos nativos para que todos os cidadãos se compadeçam da luta por direitos desse povo e se aliem à eles. Outrossim, o governo federal deve, novamente, dar autonomia à FUNAI, para que esta atue junto às tribos na manutenção das línguas indígenas, agora com o apoio da população brasileira. Somente assim injustiças históricas poderão ser reparadas e a cultura indigena poderá ser valorizada.