A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 29/12/2020

No contexto das Grandes Navegações a partir do século XV, observa-se a chegada do europeu ao continente americano, levando aos primórdios de formação da sociedade brasileira, marcada pelo violento contato do homem branco sobre a população indígena existente no território. Dados da Unesco mostram que apenas 10% das línguas e dialetos indígenas chegaram aos dias atuais, evidenciando o genocídio de milhares de povos por séculos, os quais seus descendentes ainda sofrem com o poder opressor do etnocentrismo, diretamente relacionado a invasão de espaços ocupados pelos povos originários, portanto, fomentando a extinção de suas linguagens e culturas.

Em primeira análise, observamos o pensamento etnocêntrico como motor histórico da violência cultural: definindo erroneamente a superioridade do homem branco; tal visão é contestada pelo antropólogo francês, Lévi-Strauss, o qual desmonta o pensar etnológico baseado no evolucionismo cultural, ou seja, o achar de que a linguagem indígena seria inferior. Lévi-Strauss nos mostra a importância da pluralidade linguística como meio da construção identitária; por longa data, o Brasil caminha em contra-mão à esses preceitos, provocando a infeliz extinção da linguística indígena no país.

Paralelo à isso, a antropologia contemporânea fortalece a ideia de que a língua vive através de seus falantes, ou seja, sua preservação depende de seu povo, e a sobrevivência desses, nos dias atuais é relacionada com a política de demarcação de terras. A produção cinematográfica “Xingu” expõe as dificuldades do povo indígena brasileiro em garantir suas próprias vidas e a sobrevivência de sua riqueza linguística após o intenso contato com o homem branco. Curiosamente, segundo dados da FUNAI, o Parque Nacional do Xingu é o local com o menor risco de extinção de línguas que ali se fazem presentes, comprovando, portanto, que o espaço respeitado se liga diretamente à preservação cultural.

Verifica-se, então, que o freamento na redução das línguas e dialetos indígenas no Brasil deve ser dirigido pelo Governo Federal, promovendo uma maior demarcação de terras aos povos originários, processo que será coordenado por meio da FUNAI e lideranças indígenas, visando o fortalecimento e extensão da língua por meio da comunidade, espaço que garantirá a ampla documentação e estudos adequados da pluralidade linguística presente, dessa maneira, dando fim ao processo etnocêntrico iniciado no período colonial brasileiro.