A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 28/12/2020

Para o sociólogo contemporâneo Z. Bauman, nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar encontra as respostas aos problemas que a afligem. Esta compreenssão é pertinente a cerca da extinção da língua indígena no Brasil, uma vez que a sociedade sofre  reflexões  de grande proporções ao negligenciar uma abordagem crítica a esse respeito. Nesse cenário, é imperativo o desenvolvimento de uma abordagem que priorize duas vertentes argumentativas: preservação da língua indígena, bem como a falta de participação ativa da sociedade.

De início, a preservação das línguas indígenas no Brasil merece ser avaliado por perspectivas mais críticas  na atualidade  em prol  de não  fadar  ao olhar cultural  de desprestígio. Assim, compactuar com o pensamento de Bauman, observa-se  que o não  questionamento dos valores distorcidos  sobre o desaparecimento linguístico indígena, corrobora  para o fim de uma cultura marcada pela uma origem histórica, visto que, segundo pesquisas das Organizações das Nações Unidas (ONU), quase 90% do idioma indígena foram extintos somente no território nacional brasileiro.  Acerca desse contexto, verificam-se  motivações  que perpassam  a conduta social,  em que se destacam falta de valorização social, a aculturação e ausência de projetos de leis protecionistas. Logo, ignorar  o envolvimento  coletivo  para a solução de problemas sociais é negligenciar a perspecitiva reflexica pelo sociólogo polonês.

Outrossim, a ausência da sociedade em prol defesa da preservação do idioma indígenas configura mais uma visão a ser considerada  nessa discussão. Compreender essa assertiva  é validar  o pensamento  da socióloga Hanna Arendt ao defender  o direito à dignidade  é princípio  balizador  da cidadania, já que, ao negligênciar-se em defender a preservação linguística indígena, o indívíduo não estará exercendo seu papel como cidadão. Assim, vê-se que a extinção da língua nativa brasileira pode ser evitado dependendo de uma sociedade atuante na garantia de seus direitos e deveres.

Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de medidas transformadoras  na mediação dos conflitos concernente à questão. Para tanto, o Governo Federal - na representação específica do Ministério da Educação - deve difundir discussões sobre a preservação, o estudo e inclusão das línguas indígenas, por meio de programas e projetos de lei no sistema educacional brasileiro. Tal ideia estaria destinada ao fito da valorização das línguas nativas. Logo, a aplicação de medidas nessa perspectiva será capaz de apontar melhores vivências, relacionadas a minimizar o risco de extinção linguística, além de corroborar com certas respostas à crítica de Bauman à inércia social.