A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 02/01/2021
Durante os séculos XVI ao XIX, o Brasil sob domínio português percorre um extenso período de colonização e escravidão. Dessa maneira, acontece o aprisionamento e a escravização não só de indígenas nativos do território, mas também de crianças e adultos trazidos da África. Nesse contexto, observa-se que a miscigenação entre indígenas e africanos foram os pilares que deram origem à cultura brasileira. Portanto, não há dúvidas de que a história cultural e social que esse povos representam, são de imprescindível importância não só pela resistência contra o negativismo europeu em relação às praticas culturais nativas, mas também para a valorização e o combate à diminuição dessas populações.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que o preconceito religioso e social dos europeus incentivou a proibição de práticas religiosas e na fala de línguas indígenas. Nesse contexto, é pertinente trazer o discurso do filósofo Darcy Ribeiro, no qual ele enfatiza que o Brasil, como último país a acabar com a escravidão, carrega uma perversidade intrínseca em sua herança, o que torna a classe dominante ainda enferma de desigualdade. Assim, é necessário reconhecer que as proibições europeias e a escravização nativa e africana fomentaram na redução da linguagem ancestral dessas populações, em vista de uma sociedade preconceituosa e que ainda carrega vestígios sócio-históricos do negativismo cultural europeu.
Em segundo lugar, vale salientar que o período de colonização e a desvalorização social das populações indígenas fomentou a diminuição gradativa dessas minorias e de sua herença cultural. Diante dessa perspectiva, dados fornecidos pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) apontam que, no século XVI, existiam cerca de 3 milhões de indígenas no Brasil, de tal modo que existem apenas aproximadamente 800 mil nativos hodiernamente em território brasileiro. Desse modo, é notório que a redução desses povos ocorreu de forma rápida e constante, atingindo hoje menos de 1/3 de sua população inicial, acarretando consequentemente na extinção das línguas nativas. Em síntese, é notória a importância da valorização da existência cultural indígena que compõe a identidade brasileira, e acentuar sua história social como símbolo de resistência e luta.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a problemática na extinção de línguas e povos indígenas no Brasil. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Educação promover a inclusão do estudo da história indígena, por meio de aulas regulares, palestras e oficinas que abordem a resistência dessas populações, a fim de conscientizar sobre a valorização sócio-cultural que a língua nativa carrega. Assim, é de responsabilidade governamental promover a inclusão de projetos sociais, por meio de auxílio médico, alimentício e educacional, visando combater a diminuição gradativa dos grupos nativos em vulnerabilidade. Somente assim, haverá um caminho traçado para a valorização do indígena no Brasil.