A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 28/12/2020

A partir de 1530, durante o período de colonização no Brasil, grande parte da população autóctone foi exterminada. Assim, compreende-se a ocorrência de um genocídio, haja vista a classificação de tal ato, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), como o assassinato ou o atentado grave à integridade física ou mental de um grupo ou parte dele a partir de critérios étnicos, religiosos ou de nacionalidade. Hodiernamente, isto repercute exemplificado pela extinção de línguas indígenas, em que centenas já não existem e mais da metade das que sobraram corre o risco de desaparecer. A saber que a desvalorização da cultura deste povo, por base da alienação de uma sociedade, e a falha do Governo em manter os seus linguajares como parte do patrimônio imaterial brasileiro geram essa problemática.

A priori, é importante ressaltar que os costumes, a crença, a organização social e familiar, a arte, o conhecimento científico e todos os aspectos, que relacionam-se e formam a etnia aborígene brasileira, sofreram um processo violento e brusco de sucateamento em detrimento do modo de vida europeu. Logo, a sociedade brasileira atual surgiu e foi firmada a partir de ensinamentos que embutiram a ideia de que todos os aspectos socioculturais das civilizações brancas são superiores. Analogamente, este vies corrobora-se pela fala do antropólogo Claude Lévi-Strauss, de que o coletivo é entendido a partir da análise dos acontecimentos históricos, das relações e das forças que estruturam a sua formação.

Por conseguinte é possível explanar o desaparecimento dos linguajares indígenas, o que evidencia a falha do Governo. Em suma, por negligência governamental, perde-se um importante patrimônio imaterial, o qual - como consta na Constituição Federal de 1988 - deve ser preservado pelo Estado, já que é dever deste garantir os direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional, além de apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais. Com efeito - de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) - de 1,2 mil dialetos do início da colonização, restaram apenas 274, dos quais 190 estão ameaçados de extinção.

Portanto, medidas são necessárias para impedir que mais deste patrimônio seja perdido. Destarte, o Governo Federal, o Ministério da Educação, a Secretaria Especial da Cultura e a Unesco devem implementar, em diferentes níveis educacionais, conteúdos voltados ao estudo da cultura indígena, com ênfase para os seus dialetos, em disciplinas de artes e história nas escolas municipais e estaduais, por meio de instrumentos interativos, como oficinas, feiras e grupos de estudos que aumentem o enfoque acerca do tema - além de incluir cursos e disciplinas extras na grade curricular das graduações voltadas ao ensino -, para incentivar a valorização das línguas e costumes indígenas. Somente assim a ideia de superioridade europeia, gerada historicamente, será combatida.