A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 28/12/2020

Para o sociólogo contemporâneo Z. Bauman, nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar encontra as respostas aos problemas que a afligem. Esta compreensão é pertinente acerca da extinção da língua indígena no Brasil, uma vez que a sociedade sofre reflexões de grande proporções ao negligenciar uma abordagem crítica a esse respeito. Nesse cenário, é imperativo o desenvolvimento de uma abordagem que priorize duas vertentes argumentativas: preservação da língua nativa indígena, bem como a falta de participação ativa da sociedade.

De início, a preservação das línguas indígenas no Brasil merece ser avaliada por perspectivas mais críticas na atualidade em prol de não fadar ao olhar cultural de desprestígio. Assim, compactuar com o pensamento de Bauman, observa-se que o não questionamento dos valores distorcidos sobre o desaparecimento linguístico indígena corrobora para o fim de uma cultura marcada por uma origem histórica. Acerca desse contexto, verificam-se motivações que perpassam a conduta social, em que se destacam falta de valorização social, a aculturação e ausência de projetos de leis protecionistas. Logo, ignorar o envolvimento coletivo para a solução de problemas sociais é negligenciar a perspecitiva reflexiva pelo sociólogo polonês.

Outrossim, a ausência da sociedade em defesa da preservação das línguas indígenas configura mais uma visão a ser considerada nessa discussão. Compreender essa assertiva é validar o pensamento da socióloga Hanna Arendt, ao defender o direito à dignidade é princípio balizador da cidadania, já que, ao negligenciar-se em defender a preservação linguística indígena, o indivíduo não estará exercendo seu papel como cidadão. Assim, vê-se que a extinção da língua nativa brasileira pode ser evitada, dependendo de uma sociedade atuante na garantia de seus direitos e deveres.

Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de medidas transformadoras na mediação dos conflitos concernente à questão. Para tanto, o governo federal - na representação específica do Ministério da Educação - deve difundir discussões sobre a preservação, o estudo e inclusão das línguas indígenas, por meio de programas e projetos de lei no sistema educacional brasileiro. Tal ideia estaria destinada ao fito da valorização das línguas nativas. Em síntese, a aplicação de medidas nessa perspectiva será capaz de apontar melhores vivências, relacionadas a minimizar o risco de extinção linguística, além de corroborar com certas respostas à crítica de Bauman à inércia social.