A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 02/01/2021

Em seu livro Cultura e Representação, o sociólogo jamaicano Stuart Hall define a linguagem como uma forma de representar as nossas ideias, conceitos e pensamentos, logo, um povo que compartilha dos mesmos códigos culturais tendem a interpretar o mundo de forma semelhante. No entanto, no Brasil, as línguas indígenas estão desaparecendo. Isso se deve, principalmente, pela invasão de terras indígenas e a desvalorização da língua.

Neste contexto, de acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os casos de invasões de terras indígenas aumentaram em 134% em 2019. As invasões são causadas para a exploração ilegal dos recursos presentes no ambiente ou o desmatamento para a criação de gados. Consequentemente, isso causa conflitos e a migração forçada e sem destino dos nativos, que não recebem nenhum tipo de assistência e acabam rompendo com a sua cultura e língua. Logo, fere o artigo 231 da Constituição Federal que garante a damarcação e proteção das terras indígenas.

Ademais, durante o período de colonização do Brasil, foram aplicadas políticas que obrigavam os índios a falarem português e exterminar as línguas indígenas. Atualmente, o cenário não é muito diferente, pois muitos indígenas se veem obrigados a aprender o português para alcançar mais oportunidades no mercado de trabalho ou na vida acadêmica, por exemplo, e se distanciam da cultura indígena.

Sendo assim, urgem medidas para solucionar esse problema. A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) deve demarcar todas as terras indígenas no território brasileiro com o intuito de evitar invasões. Além disso, também deve promover a construção de escolas nas tribos , onde eles poderão aprender línguas indígenas, tradições e valores de sua cultura. Dessa forma, a língua indígena no Brasil será revitalizada.