A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Inicialmente é necessário definir a problemática da extinção das línguas indígenas como um fenômeno globalista corroborado por oligarquias interessadas em transformar a civilização brasileira em uma grande cultura hegemônica, unilateral e centralizada. Para isto faz-se necessário a massificação do comportamento humano, dos interesses individuais e até mesmo da própria linguagem utilizada para se conviver em sociedade.

O filósofo da mente Ludwig Wittgenstein argumenta que “os limites do meu mundo são os limites da minha linguagem”. Esta máxima chama a atenção para a relação entre a cultura própria, idiossincrática, de um determinado povo, e as limitações naturais da comunicação para com aqueles que fazem uso de outra linguagem e que, por isto, habitam outro mundo. A língua portuguesa é a extrema expressão das origens coloniais da república e evidencia, em maior escala, a sobreposição dos idiomas de vários povos brasileiros pela implantação forçosa de uma língua exterior e alienígena as pessoas desta nação.

Desta forma, a esmagadora riqueza cultural perdida com a extinção das línguas indígenas no Brasil não é sem precedentes, pois faz parte de uma tendência oligárquica capitalista de encapsular a maior quantidade de seres humanos possíveis em uma única cultura centralizada nos mesmos valores, objetivos e que também compartilha da mesma visão de mundo. Estabelecer uma linguagem comum, aos olhos dos oligarcas, é o primeiro passo para difundir em todos os povos a mesma lógica de consumo. É a preparação do substrato civil para que dele floresçam seres humanos que se alinhem sob a mesma orientação e justamente por isto possam ser controlados e manipulados em maior escala do que se abandonados a sua própria linguagem. Afinal, “nos falta a própria linguagem para articular nossa falta de liberdade” argumenta o filósofo e pesquisador esloveno Slavoj Zizek.

O governo federal, atráves da FUNAI, deve vigiar e interceder culturalmente para que a sociedade de mercado não extrapole seus limites de ação no tecido social suplantando as culturas locais. Assim, através dos estudos em Antropologia, Arqueologia e Linguística, a universidade brasileira deve trabalhar a favor de fortalecer o regionalismo, a troca cultural sadia, a catalogação e compreensão sociohistorica dos diferentes dialetos e demais fenômenos linguísticos bem como prezar pelo respeito a multiculturalidade. Como indica Foucault na Microfísica do Poder, a incapacidade de se comunicar de maneira satisfatória configura-se também como inabilidade de exercer poder. Portanto, através de estudos acadêmicos, da documentação e preservação dos idiomas indígenas, a sociedade brasileira articulará sua própria história e sua soberania nacional resgatando nas línguas indígenas a sua identidade histórica.