A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 14/01/2021
A partir de 1530, quando Portugal passa a ter maior participação no Brasil como sua colônia, os nativos veem-se em estado de escravidão e, consequentemente, genocídio de sua população. Paralelamente, entende-se que a realidade do indígena no Brasil hodierno é periférica e marginalizada, advinda de um passado problemático e repleto de inferiorizações culturais. Dessa forma, é possível compreender que a extinção de muitas línguas indígenas deu-se pelo descaso estatal em manter vivas as raízes da cultura nacional e pela necessidade social de esquecer a história sem a visão europeia.
Em primeira análise, vale ressaltar que a melhor forma de manter vivas as línguas nativas é ensinando-as aos futuros indígenas. Desse modo, consoante o professor e filósofo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, já que o ensino é um grande aliado para garantir uma reparação histórica. Analogamente, muitos indígenas em idade escolar, hoje, não conhecem o idioma original do seu povo, pois o ensino não garante a continuidade dessa parte essencial da cultura daquela etnia, dado que muitos dos professores que ensinam nessas comunidades não são conhecedores da cultura local. Logo, um ensino especializado para as diversas etnias indígenas nacionais faz-se necessário.
Outrossim, a sociedade em geral costuma esquecer suas origens e ligar a história à chegada dos europeus no território brasileiro. Dessa maneira, a idealização social do indígena é como a visão criada pelo romancista indianista José de Alencar, no século XIX, em seu livro “O Guaraní” - livro que retrata Peri, nativo e personagem principal, como um homem selvagem, mas bondoso, com traços físicos europeizados - idealização essa que foge da realidade, o que inferioriza e objetifica os indígenas, fazendo-os ser uma parcela esquecida da identidade nacional. Assim, é imprescindível que o Brasil não só como Estado, mas também como sociedade, mova-se em prol da garantia social e cultural indígena.
Portanto, medidas devem ser tomadas para minimizar o impasse. Nesse sentido, o Ministério da Educação, juntamente da FUNAI, deve retirar da linha de extinção as línguas nativas, por meio de um programa de ensino especializado - no qual será incluído na grade curricular daquele povo o idioma nativo ainda vigente com aulas ministradas por professores daquela comunidade - para que as raízes indígenas continuem fazendo parte do país. Também, cabe as escolas, em parceria com tribos indígenas locais, quebrar o estereótipo indianista antiquado, por intermédio de visitas às localidades de vivência dessa etnia, de leituras de tradições indígenas e do estudo da história pré-colonização, a fim de que entenda-se que a história do Brasil começa muito antes da chegada dos portugueses. Destarte, os empecilhos causados pelo passado genocida e escravista não serão mais realidade no Brasil.