A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 30/12/2020
A Constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 215, o apoio ao incentivo, valorização e a difusão de manifestações culturais. Todavia, a realidade brasileira reflete o contrário, principalmente no que diz respeito à conservação de línguas indígenas. Assim sendo, isso acontece por conta do sistema educacional público brasileiro não disponibilizar em sua grade educacional o ensino de idiomas nativos. Dessa forma, colocando em risco um elemento da cultura nacional importantíssimo para identidade da população.
Primeiramente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a extinção de línguas indígenas. Por conseguinte, é possível averiguar que não há uma ação governamental para implementação de idiomas originários do Brasil no currículo educacional das escolas públicas. Consequentemente, enfraquecendo culturas nativas em virtude das europeias, isto é, línguas estrangeiras como o Inglês e o Espanhol são muito mais aplicadas no ensino público. Desse modo, o ensino de idiomas originários da América do sul são relegados apenas às escolas em aldeias nativas. Esse panorama, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social” já que o estado não cumpre sua função. Essa sendo que os cidadãos desfrutem de compromissos assumidos pelo estado em Constituição, como a difusão de manifestações de culturais.
Adicionalmente, é fundamental apontar a escassez de falantes de línguas nativas fora de terras indígenas como impulsionador da extinção das mesmas no Brasil. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no último censo demográfico, apenas 12,7 da população que não reside em aldeias indígenas fala idiomas oriundos do país. Diante de tal exposto, é apresentado um cenário desolador, aonde um componente tão significativo para a identidade do brasileiro é desconhecido pela maioria e fadado ao esquecimento, já que não é considerado importante o suficiente para o ensino público.
Enfim, é primordial que o Estado tome providências para amenizar a conjuntura atual. Para implantação do ensino de línguas indígenas ao currículo escolar das escolas públicas, urge que o Ministério da Educação (MEC) crie, por meios de verbas governamentais, um programa que capacitará falantes de idiomas nativos para a docência de tal. Além disso, cada professor e língua serão selecionados baseando-os na localização de escolas. Desse modo, docentes não se deslocaram grandes distâncias e alunos terão a oportunidade de aprender o idioma original de onde residem. Assim, as línguas nativas serão salvas da extinção, o povo brasileiro ficara mais próximo da cultura indígena nacional e tornasse-a tangível a construção de uma sociedade permeada pela Magna Carta.