A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 06/01/2021
O médico Simão, personagem na obra “O alienista” de Machado de Assis, condena todos indivíduos à loucura, como se estivessem certamente fadadas à doença mental. Entretanto, apesar de fictício, a obra de Machado de Assis reflete na extinção de línguas indígenas no Brasil, uma vez que, em ambas, é possível estabelecer a denúncia de comportamentos retrógrados. Neste contexto, a problemática torna-se emergencial tanto pela colonização tanto pela constante desvalorização.
Sob esse viés, parte-se do pressuposto de que o filósofo francês Foucault, em sua tese de doutorado “História da loucura na Idade Clássica”, busca escavar o subsolo da consciência moderna na loucura para abordar a estrutura de exclusão que a sustenta. Fato é que, desde o período colonial brasileiro, os colonos desvalorizaram a cultura e as línguas indígenas, de modo que o número de idiomas indígenas diminuiu ao longo dos anos. Dessa forma, estas línguas estão quase extintas, resultando em um quadro irreversível.
Nessa perspectiva, a desvalorização da cultura indígena comprova o conceito criado pelo filósofo neerlandês Erasmo de Roterdã, na obra “Elogio da loucura”. Desse modo, todas as ações da época, assim como as atuais, não são obras humanas, mas sim da loucura em seu domínio. Nessa visão, a constante desvalorização do homem frente as culturas dos índios marcam um cenário de injustiças. Nesse sentido, o idioma indígena está tão ameaçado que no Brasil é considerado apenas dialeto enquanto o português é considerado o idioma oficial, logo isto é obviamente um ato de completa falta de lucidez.
Portanto, o ser humano deve assumir a própria responsabilidade diante da extinção das línguas indígenas, visto que, segundo o filósofo francês Jean Paul Sartre, na obra “O ser e o nada”, o homem é diretamente responsável por suas ações. Sendo assim, o Governo Federal – órgão responsável pelo bem-estar coletivo – deve implementar aulas de língua e cultura indígena nas escolas, para que os alunos tenham um pouco de acesso a esta cultura. Espera-se que esta ação a extinção da cultura e idioma dos índios não aconteça. Nessa concepção, o Brasil sairá de sua posição alienada afastando-se do cenário de Machado de Assis.