A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 09/01/2021
A Declaração dos Direitos Humanos de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. Entretanto, a realidade brasileira fere essa máxima, no que diz respeito ao processo de extinção das línguas indígenas no Brasil. Dessa forma, em virtude da falta de debate e da lacuna educacional, emerge um problema complexo que precisa ser revertido.
Nesse sentido, é possível destacar a maneira na qual a falta de inclusão do estudo acerca das línguas indígenas no currículo nacional é uma causa latente do problema. Parafraseando o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa ótica, a falta da valorização das línguas dos povos nativos brasileiros é sustentada pela falha no sistema educacional, que através de seu papel na formação do indivíduo, não aborda temas sobre a valorização da identidade e cultura dos índios. Logo, é inadmissível que a realidade seja refletida nos dados divulgados pela Organização das Nações Unidas, de que todas as línguas indígenas estão ameaçadas de extinção, em algum grau.
Outrossim, é notório que o tema da extinção das línguas indígenas no Brasil é silenciado, contribuindo para a persistência da problemática. De acordo com a lei física da inércia, um corpo só altera seu estado original caso uma força atue sobre ele. De forma análoga, a falta de preservação dos idiomas aborígenes só será solucionada se antes for dada a devida importância para esse assunto, através de discussões nos meios de comunicação, além de necessidade de fomentar debates e dar lugar a discursos vindos dessa minoria. Desse modo, fazendo jus ao pensamento de Habermas, que afirma que a linguagem é uma verdadeira forma de ação.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Para isso, os veículos midiáticos, em parceria o Ministério da Educação - instância máxima educacional do país -, devem criar um programa televisivo com intuito de trazer visibilidade às línguas aborígenes no país. Tal ação ocorrerá em rede nacional, em horário nobre, e contará com a participação de professores, representantes índígenas e da população, por meio de interação ao vivo e pela internet. Espera-se fomentar debates e promover o ensino e preservação das línguas indígenas no país. Assim, fazendo jus ao defendido pela Declaração dos Direitos Humanos.