A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Para o historiador Eric Hobsbawm, o pilar fundamental de uma nação é a sua cultura. Embora exerça extrema importância nos vínculos identitários de um povo, no Brasil contemporâneo, diversas relíquias linguísticas correm o risco de serem esquecidas, à medida que muitas línguas indígenas estão em processo de extinção. De modo a melhor compreender o tema, o domínio do pensamento etnocêntrico e a negligência estatal são dois tópicos fundamentais a serem discutidos.
Primeiramente, é preciso afirmar que a preponderância do etnocentrismo exerceu forte influência no processo de degradação cultural. Desde os remotos tempos coloniais, as culturas nativas do território brasileiro sempre foram vítimas de constantes ataques por parte das forças metropolitanas, seja por meio de massacres ou pela subjugação à doutrina cristã. Nos tempos seguintes, apesar de algumas tentativas de reversão desse quadro, como a criação de direitos para os povos indígenas na Constituição de 1988, a cultura europeia sempre dominou o panorama cultural do país. Por consequência, diversas culturas nativas foram dizimadas ao longo do tempo, processo que resultou em um grave estado de ostracismo da língua dos índios. De acordo com uma pesquisa de 2018 da Datafolha, mais de 60% das línguas remanescentes desde o século XVI sofrem perigo de extinção. Portanto, atitudes eficazes precisam ser tomadas de modo a reverter essa situação.
Outrossim, a inércia do poder público também contribuiu para a intensificação desse processo. Desde a independência do Brasil até o Regime Militar, mais de um século se passou sem nenhuma política de grande porte voltada à proteção das línguas nativas, por ser considerado um tema de segunda importância. Todavia, o legado dos índios serviu de base para a criação da identidade nacional e deve ser priorizada a fim de promover a união social e o progresso geral da nação. Segundo um levantamento de 2017 da Revista Metro, 72% dos entrevistados achavam que a cultura indígena estava esquecida, enquanto 68% acreditavam que essa era fundamental na manutenção da cultura brasileira. Assim sendo, o Estado deve agir de maneira séria e eficaz para conceder aos índios o prestígio devido.
Em suma, sendo a cultura vital para o desenvolvimento de uma nação, esforços não devem ser medidos a fim de revitalizar o patrimônio linguístico em extinção. De modo a solucionar o problema, faz-se necessária a inclusão de temas indígenas em turmas de maternal do Ensino Público, por meio de um projeto de lei criado por membros do Senado Federal e sancionado pelo Presidente, com a eleição de um comitê educativo do Ministério da Educação para a criação de conteúdos educativos de temática indígena. Assim, a imersão cultural das crianças propiciará a conscientização identitária e fomentará o aprendizado da história dos povos nativos em prol da preservação desse patrimônio cultural, o maior tesouro do Brasil.