A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A cultutura nacional foi construída em três alicerces, a cultura lusitana, africana e indígena. Conquanto, a última tem sido fortemente negligenciada. Tal prerrogativa se reverbera na prática quando se observa a extinção de línguas indígenas no Brasil, dificultando, deste modo, a manutenção dessa base cultural tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro alarmante.

Em primeiro plano, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a extinção de línguas indígenas no Brasil. Nesse sentido, o Estado não se mobilizou para evitar o desaprecimentos dessas línguas, além disso, não se foi criado um plano para assegurar a preservação dos idiomas. Com isso, a diminuição de falantes foi inevitável, prejudicando drasticamente a pluralidade da cultura brasileira. Essa conjuntura, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre a função de garantir que a população indígena desfrute de direitos indispensáveis, como a cultura, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar os conflitos entre indígenas e agropecuaristas como impulsionador da extinção de línguas de indígenas. De acordo com a Unesco, aproximadamente 70% desses idiomas falados no território nacional estão em risco de extinção. Diante de tal exposto, entende-se que o decréscimo do número de falantes está intimamente relacionado aos conflitos por terras. Desse modo, os agropecuaristas tem a intenção de expandir os seus latifúndios, por isso, invadem territórios indígenas e desmatam áreas de preservação. Diante tal brutalidade, os nativos da terra  tentam proteger seu povo e lar, entretanto a disparidade de força bélica entre os combatentes resulta em um massacre desses índios. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esse problema. Para isso, é imprescindível que o Estado, em conjunto do Ministério da Pecuária, por intermédio da punição dos agressores, criação de leis mais rígidas de proteção ao território indígena e fiscalização das fronteiras agropecuárias, apazigue os conflitos pela terra. Outrossim, também é necessário que o Governo crie planos para assegurar a preservação dos idiomas ameaçados de extinção. Tudo isso, a fim de que a pluralidade cultural no Brasil seja mantida. Assim, se consolidará uma sociedade onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.