A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 14/01/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, consagra o direito indígena de manter terras, modo de vida, tradições e criou um sistema de normas a fim de proteger os direitos e interesses indígenas. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa a extinção de línguas indígenas no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização de um direito social tão importante. Dessa forma, em razão da ausência de debate e da lacuna educacional, emerge um problema complexo que precisa ser revertido.
Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma interrupção em torno dos debates sobre a extinção de línguas indígenas no Brasil. Um povo que contribui fortemente para a formação da sociedade brasileira sendo esquecido, sem apoio político e cultural, aumenta então falta de conhecimento da populção sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada.
Em segundo plano, outra causa para a configuração desse problema é a base educacional lacunar. De acordo, com o fílosofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange a extinção de línguas indígenas no Brasil, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que, a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter e prevenir o problema, quando vemos uma língua tão importante para o país sendo extinta, vemos que o obstáculo são os professores que não tem ensinado as crianças se interessarem e reconhecerem a nossa cultura indígena.
Portanto, para que as ideias de Kant não seja apenas uma proposição teórica, uma intervenção faz necessária. Para isso, as escolas, mediante parcerias com a prefeitura, promovam um espaço de rodas de conversas e debates sobre a questão no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período do contraturno, contando com a presença de professores, atropólogos e representantes de tribos indígenas. Além disso, esses eventos devem ser abertos à comunidade a fim de que mais pessoas compreendam a importância de resgatar a língua indígena e se tornem cidadãos atuantes na busca de resolução. A partir dessas informações, poderá se consolidar um Brasil melhor.