A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Toda sociedade é composta por uma diversidade de povos e culturas. Entretanto, no Brasil algumas tradições e linguas indígenas estão sendo extintas com o passar dos anos. Esse problema possui raízes coloniais e é intensificado na atualidade pela negligência estatal.
Afinal, para Portugual a colônia era vista como provedora de recursos e reflexo da sua cultura. A partir daí, iniciou um processo de inferiorização e negação das tradições e crenças já existentes no Brasil e, concomitantemente, de implantação e endeusamento da cultura europeia. Ademais, com a chegada da República e com a independência do país, a aculturação portuguesa foi normalizada e a lingua do colonizador se tornou a oficial, sobrepondo assim o tupi-guaraní, dialeto nativo brasileiro. Em consequência disso, na modernidade poucos são aqueles que se mantém ligados a cultura indígena.
Embora a Constituição de 1998 assegure diversas garantias e busca a preservação da população sulvícola e das suas tradições, ela não é por si só suficiente para proteger esse povo. Alguns países da America Latina, visando reconhecer e dar espaço político a sua diversidade cultural, passaram a adotar o plurinacionalismo, termo que diz respeito a existência de diversas nações páreas em um único Estado. A Bolívia, por exemplo, reconheceu como oficiais mais de 100 línguas e impôs a necessidade de representantes políticos indígenas. No Brasíl, por sua vez, um indío não possui nem plena capacidade civil.
Portanto, é necessário que o Congresso Nacional revise os parádigmas do país e reconheça, tal como ocorreu na Bolívia, a existência da pluridade de culturas nacional. Para tanto, deve-se porpor uma emenda a Constituição oficializando outras linguas nativas, bem como possibilitar a candidatura política dos indígenas, objetivando atribuir maior visibilidade aos sulvícolas e impedindo, assim, a extinção dos primeiros dialetos brasileiros. Desta forma, será possível implementar efetivamente o plurinacionalismo.