A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 14/01/2021
O médico Simão, personagem na obra “O alienista” de Machado de Assis, condena todos indivíduos à loucura, como se estivessem certamente fadadas à doença mental. Entretanto, apesar de fictício, a obra de Machado de Assis reflete a denúncia de comportamentos retrógrados, essencialmente na extinção das línguas indígenas no Brasil. Neste contexto, a problemática torna-se emergencial tanto pela colonização quanto pela constante desvalorização da cultura indígena.
Sob esse viés, parte-se do pressuposto de que o filósofo francês Foucault, em sua tese de doutorado “História da loucura na Idade Clássica”, busca escavar o subsolo da consciência moderna na loucura para abordar a estrutura de exclusão que a sustenta. Fato é que, desde o período colonial brasileiro, os colonos desvalorizaram a cultura e as línguas indígenas, de modo que o número de idiomas indígenas diminuiu ao longo dos anos. Dessa forma, estas línguas estão quase extintas, resultando em um quadro irreversível.
Nessa perspectiva, a desvalorização da cultura indígena comprova o conceito criado pelo filósofo neerlandês Erasmo de Roterdã, na obra “Elogio da loucura”. Desse modo, todas as ações da época, assim como as atuais, não são obras humanas, mas sim da loucura em seu domínio. Nessa visão, a constante desvalorização do homem frente às culturas dos índios marca um cenário de injustiças. Nesse sentido, o idioma indígena está tão ameaçado que no Brasil é considerado apenas dialeto, enquanto o português é considerado o idioma oficial. Logo, isto é, obviamente, um ato de completa falta de lucidez.
Evidencia-se, portanto, que o ser humano deve assumir a própria responsabilidade diante extinção das línguas indígenas, visto que, segundo o filósofo francês Jean Paul Sartre, na obra “O ser e o nada”, o homem é diretamente responsável por suas ações. Sendo assim, é preciso que os cidadãos – verdadeiros detentores do poder constituinte – pressionem o ministério público a fim de fiscalizar se os direitos dos indígenas estão sendo devidamente implementados. Ademais, deve haver divulgação de “banners” virtuais a fim de aumentar as denúncias quando os direitos não estiverem sendo cumpridos. Espera-se que com esta ação a extinção da cultura e idioma dos índios não aconteça. Nessa concepção, o Brasil sairá de sua posição alienada afastando-se do cenário de Machado de Assis.