A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 17/02/2021

Com a vinda dos jesuítas ao Brasil, iniciou-se o processo de catequização dos indígenas. Com isso, a cultura desse povo foi sendo desfeita pela visão de mundo dos religiosos. Entretanto, esse dano deixou resquícios na atualidade brasileira, visto que, a base cultural dos índios está se diluíndo de seus aspectos tradicionais. Diante disso, convém analisar como a falta de preservação cultural e a negligência estatal confirmam para a permanência dessa temática na sociedade.

Em primeiro lugar, pode-se destacar o desafeto da população com sua própria herança histórica como fator essencial para a instalação dessa problemática. Desse modo, segundo o ativista jamaicano, Marcus Garvey, um povo sem conhecimento de sua cultura é como uma árvore sem raízes. Dessa forma, um ser humano sem apropriação cultural possui apenas um entendimento superficial sobre sua origem. Logo, é necessário uma compreensão acerca das manifestações artísticas, materiais e imateriais, de um corpo social para construção desta, a exemplo da pluralidade de dialetos indígenas nacionais.

Ademais, a negligência estatal é também responsável pela extinção da linguagem indígena. Conforme a Constituição federal, é dever do Estado garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais. No entanto, é notório que as instituições governamentais não estão cumprindo com suas funções, uma vez que não protegem os pilares básicos da sua cultura, colaborando para o desaparecimento crescente das línguas nativas. Além disso, a presença desse dialeto nas redes educacionais é nula, tanto alunos quanto professores têm informações rasas sobre esse assunto. Logo, fica claro o menosprezo do Governo com a comunidade que formou a identidade da nação.

Portanto, medidas são necessárias para resolução de tal impasse. Cabe ao Governo, juntamente com o Ministério do Turismo, órgão responsável pela cultura, a criação de políticas públicas que defendam os artefatos tradicionais indígenas, por meio de implantações de normas. Também, as redes educacionais devem adotar em seus currículos debates sobre o tema, para que os estudantes conheçam suas origens. Assim, espera-se que toda a população se sinta pertencente ao país e conheça sua história, como proposto por Garvey.