A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 26/02/2021

A influência linguística do tupi-guarani contribuiu fortemente para a construção do vocabulário do idioma oficial. Ao longo da história, as marcas dos povos nativos estão registradas em plantas, lugares geográficos e, até, no nome dos brasileiros. Paralelamente, é fato que, depois dos colonizadores, a extinção da linguagem indígena tem como principal ameaça a falta de uso e, também, cabe discutir a relevância das línguas dominantes na sociedade.

De início, destaca-se a limitação de manutenção e revitalização da língua de herança no currículo escolar, visto que a ausência de abordagem corroboram com a ideia de perca do conhecimento histórico e cultural do país. Nessa perspectiva, segundo Willard Quine, matemático e filósofo norte-americano, a linguagem é uma arte social, em que o modo como é utilizada socialmente torna-a significativa. Evidencia-se, portanto, a importância da reprodução da língua indígena para prevalecer o pertencimento à comunidade brasileira, dado que o idioma é um patrimônio de característica socio-cultural e um instrumento de identificação de uma nação.

Além disso, cabe mencionar a expansão de línguas dominantes, devido ao forte poder de manipulação que outros países exercem sobre a sociedade mundial. Isso pode ser explicado pelos acontecimentos após a chegada das grandes navegações no Brasil, como a cristianização, praticada pelos jesuítas, dos povos indígenas e a mesclagem de idiomas, isto é, a tentativa de consolidação e intensificação de mudanças em uma cultura. Dessa forma, sobressai que a valorização e adoção de outras linguagens facilita a extinção da própria fala, em consequência o esquecimento de um intervalo cronológico da história, privando uma grande parcela da sociedade futura de aprender e repassar o conhecimento para outras gerações.

À visto disso, é preciso que medidas sejam assumidas para amenizar os impactos no cenário contemporâneo. Para que a extinção da língua indígena não seja concretizada, urge que a Secretária da Cultura e o Ministério da Educação realizem a implementação, por meio de verbas governamentais, de ajustes na grade curricular de ensino utilizada pelas escolas, para que seja efetivada a inserção do levantamento obrigatório em relação à questão de contextos linguísticos indígenas e a sua importância como propriedade nacional, nas salas de aula. Além disso, é responsabilidade da FUNAI, Fundação Nacional do Índio, estabelecer comunicação direta, por intermédio dos meios midiáticos, para esclarecer dúvidas sobre a cultura e promover os costumes e o vocabulário nativo. Somente assim, a história permanecerá, não só nos livros didáticos, mas, também, na língua portuguesa, sem mais intervenções de “colonizadores” ou “jesuítas”.