A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 16/03/2021
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima, eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo, era vencido pela exaustão,assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos indígenas no Brasil, os quais sofrem com a extinção de suas línguas. Infelizmente, essa realidade é produzida pela inobservância Estatal, que desvaloriza a língua e, ainda, pelo preconceito que a torna inacessível. Faz-se premente discutir sobre a extinção das línguas indígenas no Brasil.
Convém ressaltas, inicialmente, que a principal causa da extinção das línguas nativas de uma nação é condicionada por uma crescente desvalorização do país sob esses idiomas no decorrer da história. De acordo com a Constituição brasileira, Art.13, ’’ A língua potuguesa é o idioma oficial do Brasil’’. Sob esse prisma, vê-se que no decorrer da colonização brasileira, para a unificação de um grande país, Portugal implantou uma única língua- português- que atualmente é o idioma oficial do país pela Constituição, por consequência, desvalorizou as línguas nativas, que não receberam apoio Estatal para continuarem com sua permanência, contribuindo assim, para a sua extinção.
Ademais, é indubitável que a consequência da desvalorização das línguas indígenas acarretam no preconceito estrutural, o qual é bloqueio de aprendizado dos idiomas. Para a filósofa Hannah Arentd, em seu conceito ‘‘Banalização do mal’’, atos maldosos cometidos constantemente- preconceito- tornam-se normais aos olhos da sociedade contemporanêa. Diante disso, nota-se o preconceito sofrido pelos cidadãos indígenas, por exemplo, em um pronunciamento nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro, ’’ Cada vez mais o índio é um ser como nós’’. Assim, observa-se que Bolsonaro é o espelho da nação em que governa, a qual compactua com pensamentos de que a cultura indígena e sua língua são ultrapassadas e sem serventia, gerando o impasse da inacessibilidade, quando é pregada falsa idealização de inutilidade do povo indígena.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação em parceria com a Fundação Nacional Do Índio, responsável em propor vida melhor aos indígenas, criem aulas gratuitas de leitura e escrita das línguas nativas, por meio de plataformas digitais financiadas pelo Estado, com o fito de valorizar e amenizar a extinção do idioma, consequentemente, facilitando a acessibilidade dessas línguas tão importantes para o país. Além disso, o Ministério da Saúde deve exigir entendimento básico da língua, de profissionais, tais como: médicos, que forem atuar em demarcações indígenas, para melhorar o acolhimento e entendimento de povos tão inferiorizados pelo preconceito. Desta forma, a luta indígena será gradualmente valorizada e não mais comparada com o castigo de Sísifo na mitologia grega.