A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 16/04/2021

Segundo Marcus Garvey, um povo sem conhecimento do seu passado e cultura é como se fosse uma árvore sem raízes. Diante disso, ao se observar a extinção de línguas indígenas no Brasil, percebe-se que é um país sem raízes, já que imbróglio vem se perpetuando devido ao legado histórico e às falhas no sistema educacional.

Nesse contexto, é lícito postular as questões históricas como imoulsionadoras desse revés. Sabe-se que quando as tropas europeias invadiram o Brasil, a partir de 1500, houve uma imposição da cultura estrangeira e uma grande perda da identidade brasileira. Dessa forma, muitas línguas dos nativos foram se perdendo e sendo substituídas pela dos colonizadores. É notório que a imposição de uma língua oficial ainda acontece na contemporaniedade, dando espaço para um hábito arcaico e excludente. Diante disso, o legado do berço brasileiro está sendo perdido e desvalorizado, consequentemente, a cultura do país.

Ademais, vale ressaltar o sistema pedagógico deficitário como uma causa da perenização da perda das línguas nativas. Observa-se que a grade curricular brasileira é baseada no modelo eurocêntrico de educação, em que até disciplinas de história do Brasil valorizam mais a influência europeia do que a resistência do povo canarinho. Como exemplo disso, até poucos anos atrás, se usava a expressão “descobrimento do Brasil” para se referir à entrada forçada e colonização de um povo que já residia nesse território. Dessa maneira, os alunos aprendem erroneamente que a língua portuguesa é a representação do povo brasileiro e deve ser mais valorizada do que as línguas indígenas.

Portanto, observa-se a necessidade de dissolução desse entrave. Assim, é dever do Ministério da Educação-responsável pela grade educacional e investimento na área- propagar o incentivo do conhecimento das línguas indígenas, por meio da capacitação de professores e inclusão dessa matéria nos horários escolares, a fim de que os cidadãos aprendam desde cedo sobre suas raízes, como propunha Marcus Garvey.