A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 18/04/2021
Antes da chegada dos povos europeus - ditos como descobridores do Brasil - já habitavam, em terras brasileiras, povos indígenas, juntamente com seus costumes, culturas e línguas. Contudo, houve um choque cultural significativo, uma vez que os portugueses chegaram com ideal de superioridade, reprimindo, assim, costumes intrínsecos dos povos nativos, dentre esses, sua linguagem, de modo a resultar, até à contemporaneidade, a extinção das línguas indígenas no Brasil. Então, para mitigar esse mal, há de se combater não só a falta de cultivação da cultura indígena nos componentes curriculares das escolas, bem como a omissão social para reerguer o indioma nativo já debilitado.
A priori, é necessário aflorar, nas escolas, o sentimento de apreço pela cultura e os ideais indígenas. Nessa perspectiva, consoante ao contratualista social John Locke, é dever do Estado garantir direitos básicos à população. Todavia, observa-se que a transgressão desse contrato é efetivada quando as escolas não proporcionam, ao seu público alvo - as crianças - o carisma pela cultura de seus antepassados indígenas, o qual é um direito básico para todo cidadão: conhecer suas raízes e perpetuá-las às gerações seguintes. Sob essa assertiva, é inevitável que, com o passar dos tempos, a cultura indígena irá se extiguir entre a população, de modo a resultar numa possível perda da linguagem indígena. Destarte, instaura-se um sentimento de urgência nesse “déficit” educacional.
Ademais, a displicência da população acerca dessa temática distancia ainda mais o revigorar desse indioma. Nesse sentido, o escritor Sérgio Buarque de Holanda desenvolveu o conceito de “cordialidade”, o qual diz respeito à inabilidade do indivíduo de se importar com as causas coletivas. Sob essa ótica, infere-se que a grave decadência que invadiu essa vertente social tão pertinente, dar-se-á devido à negligência populacional e ao seu comodismo, de modo a permanecerem estáticos e negligentes no que tange ao definhamento da cultura indígena, acrescido pela falta da consciência que é a importância desses povos para as populações vindouras. Dessa maneira, torna-se imensurável o prejuízo que essa inércia populacional poderá causar às futuras gerações.
Portanto, para resgatar o indioma indígena que se esvai, é preciso intervir. Logo, urge ao Ministério da Educação, em parceria com as as secretarias de desenvolvimento social, haja vista que esses têm grande papel persuasivo e cirúrgico na questão em análise, inserir, nas escolas e nas propagandas televisivas, debates de caráter lúdico-informacional sobre a cultura indígena, a fim de renascer, não só nas crianças, mas na população como um todo, o sentimento de carisma um dia perdido para com a cultura indígena; e expelir, por completo, a estaticidade populacional dos brasileiros sobre esse assunto.