A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 07/05/2021
Segundo dados da Unesco, das 1,2 mil línguas que existiam no Brasil antes da exploração dos povos nativos, restam apenas 274, sendo 190 ameaçadas. Constata-se que o desaparecimento de línguas nativas como efeito do extermínio de seus falantes ocorre desde o século XVI até os dias atuais e o desmazelo atrelado ao preconceito da sociedade para com esses povos potencializa o seu apagamento cultural. Dessa forma, faz-se crucial discutir o palpitante risco de extinção de línguas indígenas no país.
Em primeira análise, é valido destacar que a língua é um vital mecanismo de construção e autoafirmação da identidade individual. Portanto, quando essa se perde, torna-se um meio favorável para a dissolução do nivelamento cultural. Segundo Gandhi: “Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova”. Assim, os efeitos do esquecimento da história brasileira regridem o desenvolvimento da nação, tornando propícia a repetição da trágica história da chacina dos povos originários.
Ademais, a discriminação e a negligência no que tange a população ameríndia é resultado da construção de um pensamento supremacista difundido na cultura global, que visava a ocupação das terras indígenas. Em suma, essa marginalização suprime as expressões culturais - sendo uma delas o idioma - dos mesmos e atacando-os de forma física e emocional. Além disso, as consequências dessa indiligência podem ser notadas no fato de que a Fundação Nacional do Índio (Funai) só foi criada em 1957.
Diante desse panorama, faz-se necessário que o Estado, em conjunto a Funai, desenvolva projetos de reconhecimento e valorização, bem como o registro e documentação dos idiomas indígenas, que visem a preservação, proteção, revitalização e o reforço das línguas e das culturas desses povos, tal qual a reaproximação com suas histórias, a fim de impedir o apagamento cultural e a extinção dos códigos linguísticos das mesmas. Somente assim será possivel combater o desaparecimento de línguas nativas.