A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 22/04/2021
O poema “Erro de português”, de Oswald de Andrade, faz uma crítica ao poder do colonizador de oprimir o colonizado através da cultura, pelo uso irônico das palavras vestir e despir. Analogamente, o Brasil do século XXI apresenta resquícios preocupantes da historicidade colonizadora como a da extinção de línguas indígenas no país, devido a sua submissão à língua adotada oficialmente, o português. Nesse sentindo, são evidentes como causas da problemática o legado histórico, bem como a insuficiência legislativa.
Mormente, é notório que a herança do descobrimento do Brasil é uma grande responsável pela complexidade do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio de entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a extinção das línguas indígenas, no Brasil atual, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, o que dificulta ainda mais sua resolução. Tal quadro, pode ser exemplificado pela catequização dos índios e dizimação ocorrida após a chegada dos portugueses, que afetaram culturalmente esses povos, impondo-lhes novos modos de vida e descaraterizando sua identidade. Outrossim, a extinção de línguas indígenas encontra terra fértil na insuficiência das leis. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à questão da falta de preservação das línguas maternas do país, que no contexto atual está sendo extinta. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta a resolução desse impasse. Nesse viés, a língua é um patrimônio cultural indispensável para a preservação da memória e da identidade de um povo, mas que possui políticas de preservação ineficazes, visto que, segundo a Unesco, resta apenas 10% de línguas nativas nacionais.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para evitar tal extinção no país. Cabe ao Governo Federal, em conjunto com a Unesco, desenvolver ações de conscientização que atinjam a sociedade, tais devem ocorrer em instituições de ensino por meio de palestras, cartilhas e propagandas, criadas por antropólogos e linguistas sobre o legado histórico brasileiro e suas consequências com foco nos povos aborígenes. Para que assim entendam a importância de preservar a cultura originária e valorizem principalmente os idiomas nativos, como o tupi-guarani e yanomami. Além disso, as organizações governamentais devem garantir o ensino das línguas nativas em todas as aldeias e o ensino dessas línguas nas universidades para que o povo não perca sua identidade e que os demais valorizem o dialeto. Não ocorrendo o despimento total dos índios descrito no poema oswaldiano.