A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 27/04/2021
“Zoon Politikon” ou animal político é uma expressão utilizada por Aristóteles para descrever a natureza do homem, um animal que fala e pensa, em sua interação na sociedade. Presente no conceito aristotélico, a linguagem tem um papel extremamente importante na formação do homem e no convívio social deste. Nesse sentido, as línguas indígenas são um exemplo disso, pois elas foram um pilar formador na língua portuguesa conhecida atualmente. Porém, mesmo com tamanha importância, as linguas indígenas estão se extinguindo devido ao contato forçado com outras culturas e a falta de registros, o que resulta em uma imensa perda cultural para esses povos.
Em primeiro lugar, é necessário explicitar as possíveis causas da extinção das línguas indígenas no país. A primeira delas é o contato com outras culturas. Embora as interações e trocas culturais por vezes não serem maléficas, no que se refere às línguas indígenas foram, uma vez que, no período da colonização do Brasil, as missões jesuíticas tinham como objetivo a catequização - domesticação, se do ponto de vista europeu - dos nativos. Houve uma imposição não apenas de uma religião, mas também de uma língua para os povos indígenas. Além disso, a falta de esforços do Estado para preservar e registrar os idiomas nativos é outro agente contribuinte para a extinção destes.
Como reflexo disso, há o apagamento da história indígena, dado que, segundo Aristóteles, a linguagem está intrinsecamente ligada com a cultura e a participação do homem na sociedade. Partindo desse pressuposto, se uma língua indígena é extinta, a perda não é apenas no que se refere à diversidade linguística, mas se perdem também modos, histórias e costumes que eram oralmente passados. Entretanto, nem só os nativos perdem com tal extinção, mas também toda a história e cultura brasileira, já que esta é pautada na miscigenação e os povos nativos são uns dos principais pilares desta.
Por conseguinte, levando em consideração os fatores responsáveis e as consequências do problema, com o objetivo de preservar e fazer registros históricos das diversas línguas nativas, é preciso que a Funai mapeie os idiomas indígenas ainda existentes no Brasil e registre-os em um banco de dados específico para isso. Isso será feito por meio de pesquisas em aldeias e reservas indígenas, com o apoio de linguístas especialistas em idiomas autóctones, para que eles sejam de fato registrados e que, mesmo com o passar do tempo não se percam. Ademais, é necessário que as escolas abordem o tema nas aulas de história e português, para instigar os alunos a conhecerem a diversidade linguística do país. Assim, é possível que as linguas nativas não sejam extintas e que não haja mais tamanha perda cultural para o país.