A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 03/05/2021
Conforme Marcus Garvey, ativista político jamaicano, “um povo sem o conhecimento de sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes sem raízes”. Nesse contexto, é notória a importância do conhecimento sobre as manifestações artísticas materiais e imateriais de uma sociedade para a plena construção desta, o exemplo da pluralidade de linguagens e dialetos indígenas brasileiros. Contudo, configuram-se, hodiernamente, entra referentes ao patrimônio histórico-cultural brasileiro em virtude da desafeição da população com a cultura nacional e inércia dos órgãos estatais para com o problema. Primordialmente, vale destacar o desafeto advindo do tecido social como um todo com sua própria herança histórica. Acerca dessa premissa, no livro Raízes do Brasil, o escritor Sérgio Buarque de Holanda discorre sobre o processo de formação de uma identidade puramente brasileira ao longo dos séculos baseados em elementos como a ampla mistura de povos e ideias e o resultado dessa miscigenação. Entretanto, o contato com tantas culturas tornou-se um catalisador no processo de extinção de algumas línguas indígenas, tendo em vista que a introdução de idiomas estrangeiros no vocabulário de cidadãos brasileiros – como o inglês – tem o esquecimento e desvalorização das línguas autóctones brasileiras. Desse modo, caracteriza-se um cenário triste e ignóbil no que diz respeito à identidade tupiniquim.
Em segunda instância, ressalta-se a complacência do Governo Brasileiro em relação a esta questão. Consoante à teoria contratualista de Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o pleno exercício de todos os eixos governamentais – como a cidadania, a educação e a cultura -, visando garantir o bem-estar moral e físico do cidadão. Sob este viés, a atuação falha dos órgãos governamentais em proteger e zelar pelos pilares básicos de sua cultura propiciaram o desaparecimento de centenas de línguas nativas, visto que a presença dessas no âmbito escolar é nula; tanto alunos quanto professores têm raso conhecimento sobre o assunto e pouco se aprende sobre a multiplicidade desse artifício nas escolas.
Portanto, é imprescindível que os imbróglios relacionados à extinção das linguagens indígenas brasileiras sejam mitigados. Insiquito que o Estado, por intermédio da Secretaria Especial da Cultura, institua políticas públicas que defendem e protejam estes artefatos por meio da implantação de normas de proteção à identidade nativa brasileira e difusão das línguas. Além disso, é necessário que as instituições escolares adotem em seu currículo pautas e discussões sobre o tema, para que assim os estudantes conheçam as origens da sociedade canarinha. Dessa maneira, a população como um todo tem a sensação de pertencimento ao seu país e conhecer a sua história, como proposto por Garvey.