A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 07/05/2021
No livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor modernista Lima Barreto, o personagem Policarpo, na busca pela valorização da cultura nacional, tenta fazer do Tupi-Guarani a língua oficial do país por reconhecer que essa é a “verdadeira língua brasileira”. Embora ficcional, tal obra resgata uma característica importante da formação do Brasil: as línguas indígenas e a necessidade de valorizá-las. Entretanto, devido a lacunas governamentais e a falta de engajamento social, a realidade brasileira vai de encontro às ideias de Policarpo, uma vez expressiva parcela linguística indígena tem sofrido com uma possível extinção advinda desses fatores.
Em primeiro lugar, é necessário analisar que existem lacunas governamentais, em relação aos povos indígenas, que colaboram ao possível fim de algumas línguas aborígenas no país. Sob esse viés, tendo em vista a manutenção de estruturas que excluem e segregam a população indígena, heranças do período histórico colonial, não é surpresa que isso aconteça. Nesse sentido, é possível destacar aspectos como a desvalorização cultural desses povos, como a direcionada a língua, os déficits no cumprimento de medidas estabelecidas pela Constituição Federal, e a falta de projetos que busquem a realização de trabalhos escolares voltados ao reconhecimento indígena efetivo- baseados não apenas na comemoração do “Dia do índio”. Assim, é perceptível que medidas devem ser tomadas.
Em segundo lugar, cabe destacar também a existência de uma falta de engajamento social que busque e reconheça a necessidade de alterações no cenário vigente para a manutenção e a valorização de aspectos indígenas como a língua. Nessa perspectiva, é plausível resaltar a persistência de atos presconceituosos voltados aos índios, a ausência de cobranças direcionadas ao Estado por mudanças e a falta de buscas por meios de conhecer e valorizar os costumes, como a língua, dessa parcela social. Dessa maneira, diferente do que acontece em países como o Paraguai, em que o guarani é reconhecido como uma das línguas oficiais pela população, esse afastamento dos brasileiros impede que o mesmo ocorra no Brasil. Logo, é notória a urgencia de alterações.
Portanto, tendo em mente as falhas governamental e social, urge que o governo federal elabore projetos sociais de manutenção e de valorização indígena, visando evitar, entre muitos fatores, a extinção das línguas e garantir o cumprimento da Carta Magna e o engajamento social. Para isso, por meio do redirecionamento de verbas da Receita Federal, investimentos em palestras e campanhas- em redes sociais e televisão- e a implementação de aulas em escolas- desde o Ensino fundamental II-, para tratar de todos os aspactos culturais indígenas, como as línguas e sua importância à nação, devem ocorrer, contando com auxílio de indígenas de todas as regiões do país e de outros especialitas.