A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 17/05/2021
Em sua obra, O triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto, através da figura de Policarpo, propõe uma troca do português pelo tupi-guarani ea substituição de adequados europeus pelos costumes indígenas, objetivando resgatar a “verdadeira” cultura nacional. Contudo, hodiernamente, nota-se a marginalização dos povos nativos, destacando-se o processo de extinção de dialetos tradicionais, culminando na perda substancial de uma parcela da identidade brasileira.
Mediante ao elencado, tendo em vista o colonialismo predatório que se instaurou no Brasil, caracterizando pelo genocídio de populações tradicionais, vítimas da desapropriação de suas crenças e imposição a praxes dos colonizadores, torna-se perceptível, como consequência de tais atos, o extermínio massivo de grupos étnicos e suas linguagens. Como exposto em relatórios da Organização das Nações Unidas para a Educação, uma Ciência e a Cultura (Unesco), os quais revelaram que cerca de 90% dos idiomas indígenas brasileiros foram extintos e aquelas renascentes estão ameaçados.
No que tange o cenário atual, sabendo-se que as variedades linguísticas dos povos se encontram intrinsecamente ligadas a terra em que estes habitam, é notória a perpetuação da desvalorização de dialetos tupiniquins, intensificada pela perseguição de grupos indígenas por grileiros e latifundiários, decorrente de disputas territoriais . Sendo que, fatores fatores, acabam por ocasionar uma migração de comunidades para centros urbanos, levando ao distanciamento de costumes e à perda gradual da língua nativa, uma vez que, torna-se necessária a adaptação ao idioma dominante para garantir a sobrevivência nas metrópoles.
Ademais, como exemplificado no caso do falecimento do líder indígena Aritana Yawalapiti em 2020, principal percursos de três troncos linguísticos diferentes, vale destacar, a falta de documentos escritos, como mais um dos aspectos que proporcionam o desaparecimento dos dialetos nativos. Visto que, grande parte são transmitidos unicamente por meio da oralidade, perdendo-se com membros anciãos das tribos quando não repassados aos mais jovens, em defluência da usualidade do português.
Infere-se, portanto, a necessidade da preservação de dialetos étnicos. A começar pela promoção de debates, gerenciados pelo Ministério da Educação, visando conscientizar acerca da importância de dialetos nativos para formação da cultura nacional, além do oferecimento de aulas extracurriculares que proporcionam o estudo de bases linguísticas. Outrossim, o apoio governamental, do Ministério da Cidadania aos grupos tradicionais, por meio da criação do “Museu da Língua nativa brasileira”, aspirando a conservação de costumes linguísticos ancestrais.
Por consegunte, é indubitável o enaltecimento de linguajáres tradicionais